Sociedade | 16-11-2022 18:00

Aumento de furtos de cortiça preocupa GNR e está a matar sobreiros

CORTIÇA SOBREIRO
FOTO ILUSTRATIVA - FOTO DR

Em 2022 os furtos de cortiça aumentaram 42 por cento no distrito de Santarém e o prejuízo não é só o valor do produto. Há casos de ladrões que provocaram cortes nas árvores que as vão fazer apodrecer. O fenómeno está a preocupar a GNR que, perante a relevância económica do produto, garante estar a aumentar o patrulhamento e a investir numa actuação rápida.

Este ano, até 31 de Outubro, a GNR registou 50 casos de furtos de cortiça no distrito de Santarém, mais 21 casos quem durante todo o ano de 2021. Durante as investigações a Guarda deteve um suspeito e identificou sete pessoas indiciadas do crime, cujos processos estão a decorrer na justiça. No ano passado foram detidos dois elementos e identificados cinco. Uma das zonas mais afectadas foi a freguesia de S. José da Lamarosa, no concelho de Coruche, onde o presidente da junta, Hélder Silva, diz terem sido afectados dez proprietários, sendo o autarca um deles.
Alguns casos de furto de cortiça revelam-se mais graves porque foram feitos depois da época da retirada da casca do sobreiro, danificando árvores. O autarca da Lamarosa explica que os ladrões retiraram de árvores cortiça antes do tempo ideal e legal, com cinco e seis anos, além de o terem feito numa altura em que estava menos calor e a casca não se desprendia tão facilmente, o que levou a que fizessem golpes nos troncos. Segundo Hélder Silva esses cortes, que no seu caso particular afectaram quatro sobreiros, vão fazer com que algumas árvores acabem por morrer.
O presidente da junta acredita que os furtos em que a cortiça foi retirada dos sobreiros tenham sido feitos durante a noite e ocorreram sobretudo nos meses de Setembro e Outubro. Os casos aconteceram em sobreiros junto às estradas e na maioria dos casos em pequenas propriedades. Hélder Silva sublinha que o pior destes furtos não é o valor económico da cortiça ou a invasão da propriedade, mas a importância da árvore, protegida por lei, que só ao fim de 25 anos dá a primeira cortiça. O autarca explica que os cortes no tronco vão permitir a entrada de lagartas e as árvores vão começar a apodrecer e é interrompido o rendimento que as pessoas esperam.
A GNR diz que tem estado “particularmente atenta a este fenómeno criminal, procurando dissuadir e reprimir o furto”, realçando que têm sido intensificadas as acções de patrulhamento junto das explorações agrícolas. O comando territorial de Santarém reconhece que o furto de produtos agrícolas, no qual se inclui a cortiça, “assume uma especial preocupação, devido à sua relevância económica, bem como pela importância em manter um clima de segurança entre os produtores”. A Guarda acrescenta que no corrente ano os militares da GNR realizaram 33 acções de sensibilização sobre esta temática, garantindo estar “empenhada na prevenção e combate a este ilícito, apostando numa intervenção imediata que permita dissuadir e identificar os infractores”.

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