Sociedade | 19-11-2022 15:00

Tia e sobrinho vivem na miséria no bairro de Castelo do Bode

Tia e sobrinho vivem na miséria no bairro de Castelo do Bode
Filomena Eusébio e o sobrinho Carlos Peixinho vivem em condições desumanas no bairro da EDP

Filomena Eusébio e Carlos Peixinho sofrem de problemas mentais. Vivem em condições miseráveis numa casa do bairro da EDP, junto à barragem de Castelo do Bode, sem electricidade nem gás, num cenário degradante que contrasta com a beleza da paisagem em redor.

Filomena Eusébio e o seu sobrinho Carlos Peixinho vivem em condições miseráveis no decadente bairro residencial da EDP junto à barragem de Castelo do Bode, no concelho de Tomar. Sem luz e sem gás em casa, no dia em que O MIRANTE fez reportagem no local a mulher de 70 anos preparava o almoço de domingo numa fogueira improvisada em frente à habitação onde vão sobrevivendo, num cenário próprio da Idade Média. A casa está mal cuidada, tem vidros partidos, paredes enegrecidas pela humidade e cobertores a fazer de cortinados.
Carlitos, como é conhecido o sobrinho de Filomena Eusébio, veio pedir óleo para fritar as batatas à vizinha Maria Alice Cunha, enquanto esta conversava com O MIRANTE. “A casa está assim, sem vidros, porque o rapaz parte tudo. Enquanto a mãe dela, que era a dona da casa, foi viva, tinha a sua reforma e governavam-se. Depois de morrer foi sempre a decair e estão agora na maior miséria”, conta-nos a vizinha, que ali vive há 36 anos.
A Câmara Municipal de Tomar está a par da situação de Filomena Eusébio e do seu sobrinho Carlos Peixinho. “Estamos perante um caso de insanidade mental. Temos feito algumas diligências junto das entidades competentes para ver se resolvem as condições de vida destas pessoas, que não são dignas para ambos”, diz a O MIRANTE a vereadora responsável pela acção social, Filipa Fernandes.
A autarca garante que a autarquia tem acompanhado Carlos Peixinho. Quanto a Filomena Eusébio, Filipa Fernandes diz que a mulher rejeita qualquer tipo de apoio. “Tentámos que ficasse a receber uma pensão, mas recusa-se, diz que é dinheiro que lhe vão tirar, o que revela os seus problemas do foro psíquico. Conseguimos vaga num lar mas também recusa a ir para lá”, completa a vereadora.
Tia e sobrinho deslocam-se com frequência a Tomar, percorrendo os cerca de 12 quilómetros a pé. “Já alertámos os serviços sociais para a situação, até é um perigo para os próprios fazerem a estrada a pé”, diz ainda a vereadora responsável pela área da acção social. Carlos Manuel Peixinho já frequentou o Centro de Integração e Reabilitação de Tomar (CIRE), mas deixou de frequentar a instituição, conta a O MIRANTE um dos moradores de Castelo do Bode.
Muitas vezes Filomena e Carlos pernoitam em Tomar, dormindo no coreto da Várzea Pequena, junto ao rio Nabão. Gostam de frequentar o centenário Café Paraíso, mas o cheiro que emanam incomoda os clientes e especialmente o proprietário. “É uma situação muito desagradável”, desabafa Pedro Santos.

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