Sociedade | 21-11-2022 12:00

Bombeiros contam a O MIRANTE as emoções de serem parteiros

Bombeiros contam a O MIRANTE as emoções de serem parteiros
João Araújo e Carlos Semedo foram os parteiros de serviço de uma bebé que nasceu na ambulância às portas do hospital de VFX

A hora certa do parto natural é quase sempre imprevisível. Há bebés com tanta pressa de vir ao mundo que nascem a caminho da maternidade.

João Araújo e Carlos Semedo auxiliaram o parto do último de três bebés a nascer, em 2022, a bordo de uma ambulância dos Bombeiros da Póvoa de Santa Iria.

Quando um bebé decide que é tempo de nascer, contrariando as datas previstas para o parto, nem sempre há tempo de a mãe dar entrada na maternidade. O que não significa que o imprevisto não possa converter-se numa experiência feliz, emocionante e sem complicações. Foi o que aconteceu a Antonica João e à sua segunda filha, que nasceu numa ambulância dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Santa Iria mesmo à chegada ao Hospital de Santa Maria em Lisboa.
Consciente das contracções cada vez menos espaçadas no tempo, Antonica João deu o alerta cerca das 08h30 da manhã de 27 de Setembro. Saiu de casa e aguardou a chegada dos operacionais junto a uma paragem de autocarro, ainda sem saber que estava prestes a viver a viagem mais emocionante da sua vida. Pelo caminho até ao hospital, contam a O MIRANTE os bombeiros dos Voluntários da Póvoa de Santa Iria João Araújo e Carlos Semedo, as contracções ocorriam a cada três minutos até que, a 500 metros do fim da viagem, aperceberam-se que a bebé ia nascer. Encostaram a ambulância e ajudaram a trazer ao mundo, em pouco mais de 10 minutos, uma menina saudável.
Imaginar que a chegada de um bebé pode não acontecer como previsto - mais comummente numa maternidade com uma equipa médica preparada para todos os cenários - pode ser um pensamento que causa ansiedade a muitas mães, sobretudo às estreantes. Não foi o caso de Antonica João, que confiou no trabalho dos dois operacionais. “Estávamos focados num objectivo: correr bem e não falhar nenhum procedimento”, diz João Araújo, que é bombeiro há 23 anos e aplicou pela primeira vez os ensinamentos sobre partos que aprendeu na formação. “Tivemos a sorte de ser um parto fácil, muito rápido e sem complicações”, acrescenta, emocionado por ter ajudado a trazer uma vida ao mundo dias depois de ter perdido o seu pai.
Confessando que “há sempre nervosismo quando se ajuda a trazer um ser ao mundo”, Carlos Semedo detalha os procedimentos que cumpriu neste que foi o segundo parto que auxiliou em ambulância: “É feita a limpeza, o aquecimento e a estimulação do bebé, que implica verificar se chora espontaneamente e se respira bem depois de lhe ser feita a limpeza das fossas nasais retirando os restos de líquido amniótico”. Por fim “é feito o corte do cordão umbilical que obedece a medidas específicas”. Em todo o processo, acrescenta João Araújo, estão a verificar se a grávida está estável.

Partos em ambulâncias são cada vez mais raros
Os partos ocorridos em ambulância são mais raros quando comparados com os tempos em que as mulheres tinham um acompanhamento menos rigoroso e mais espaçado das gravidezes ou quando a calculadora gestacional era menos precisa. Ainda assim, continua a ser impossível determinar o momento em que um bebé decide que vai nascer. Só em 2022 os Bombeiros Voluntários da Póvoa de Santa Iria assistiram três partos em ambulância. De um deles nasceu a Maria Francisca na berma da A1 à entrada de Lisboa, na madrugada de 3 de Julho, com a ajuda dos bombeiros Nuno Bocas e Daniela Pereira.
Ainda no concelho de Vila Franca de Xira, outras três corporações - Alverca, Castanheira e Vila Franca de Xira - contactadas por O MIRANTE, corroboram que os partos em ambulância são cada vez mais raros. Em 22 serviços prestados em 2021, que resultaram de alertas para grávidas em trabalho de parto, o comandante dos Bombeiros de Castanheira do Ribatejo, Bartolomeu Castro, diz que em todos houve tempo de chegar ao hospital. O último auxiliado pelos seus operacionais, recorda, aconteceu há cerca de quatro anos, em casa da gestante. Elviro Passarinho, comandante dos Voluntários de Vila Franca de Xira, não tem memória do último que ocorreu mas não esquece o dia em que ajudou um bebé a nascer no interior da ambulância, parada na rotunda que dá acesso ao hospital da cidade. “Foi há três anos, o primeiro parto que auxiliei em 47 anos de serviço”, recorda.
Numa análise às ocorrências de outras corporações da região ribatejana também os Bombeiros do Entroncamento pararam a 8 de Agosto a ambulância que seguia para o Hospital de Abrantes para, com a ajuda da Viatura Médica de Emergência e Reanimação, assistirem um parto. Recuando até 2020, os Bombeiros Torrejanos e os de Salvaterra de Magos registam, em simultâneo, a ocorrência de dois partos em ambulância.

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