Sociedade | 24-11-2022 15:00

A música pode ajudar a desviar os jovens de maus caminhos

A música pode ajudar a desviar os jovens de maus caminhos
Daniel Manuel é maestro e compositor tendo apresentado a sua primeira obra na Igreja de Santo Estêvão, concelho de Benavente

Daniel Manuel é um maestro e compositor que tem feito um percurso ligado à região ribatejana. Diz que os músicos não servem só para tocar em eventos solidários e que a cultura precisa de se tornar num hábito de consumo.

Aqueceram as vozes, afinaram os instrumentos e ouviram do maestro palavras de agradecimento por terem aceite tocar a sua primeira obra. Acalmaram os nervos, “mas sem relaxar demasiado” e alinharam-se por naipes junto ao altar. A Igreja de Santo Estêvão encheu para o concerto do maestro e compositor Daniel Manuel, que apresentou a sua primeira obra, “Missa ao Espírito Santo”, interpretada a duas vozes pelo Coro do Município de Benavente e octeto de sopros composto por músicos da Banda da Associação Cultural e Musical de Salvaterra de Magos, que actuaram juntos pela primeira vez alinhados numa formação transgeracional.
Maestro do Coro de Benavente e da Banda de Salvaterra, Daniel Manuel sentiu necessidade de comunicar através da música, a linguagem que melhor conhece e começou a ter, há ano e meio, aulas de composição musical das quais nasceu a sua primeira peça. “Queria algo meu, que transmitisse uma mensagem de algo que sempre esteve presente na minha vida, a fé que tenho em Deus”, afirma a O MIRANTE no final do concerto realizado no dia 13 de Novembro, em que contou com a participação da sua filha mais velha no clarinete, aquele que é o seu instrumento de eleição.


Aqui fica um excerto da entrevista que pode ler na íntegra na edição semanal em papel desta quinta-feira, 24 de Novembro:


Que papel têm ou podem ter as filarmónicas na dinâmica cultural e aprendizagem da música?
Têm um papel fundamental. Comecei aos nove anos na Banda da Sociedade Filarmónica de Santo Estêvão e muito do que sou devo-o à minha passagem por lá, que durou 25 anos. Nesses grupos há pessoas de todas as idades, credos, classes sociais e cores políticas. Costumo dizer que as bandas filarmónicas são o melhor espelho da sociedade, onde todos são diferentes e trabalham para um objectivo comum, sem nunca esquecerem que não estão a tocar sozinhos, que precisam de ouvir o outro e respeitar o momento do outro brilhar. Há uma base de valores que bem transmitidos podem fazer de qualquer uma melhor pessoa.

É hoje mais difícil cativar os jovens para o ensino da música?
A dificuldade tem a ver com os projectos e a forma como são dinamizados. Se olharmos para a Academia de Música Salvaterrense, na qual sou director pedagógico e professor de clarinete, há perto de 100 crianças e jovens a aprender música, por isso, se olhar para esta realidade não posso dizer que é difícil cativar. Se olhar para outras realidades a resposta é diferente.

Ou seja, o que faltam é projectos que consigam cativar e chegar às camadas jovens?
Sim, projectos como a Orquestra Geração que leva a música onde não existia. A música precisa de entrar nos bairros mais desfavorecidos e ajudar a desviar os jovens dos maus caminhos. As filarmónicas podiam fazer esse papel mas para isso precisavam de outro tipo de apoios. É verdade que as câmaras municipais apoiam, mas diria que é um apoio para o dia-a-dia e não para se conseguir implementar um projecto social.

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