Sociedade | 12-12-2022 12:00

Associações de Vila Franca de Xira são exemplo na área da inclusão

Associações de Vila Franca de Xira são exemplo na área da inclusão
Terceira Gala para a Inclusão realizou-se em Vila Franca de Xira e foi a prova de que não há barreiras insuperáveis

Ateneu Artístico Vilafranquense foi palco da terceira gala para a inclusão, que juntou quatro instituições, vários autarcas, atletas e representantes paralímpicos, num evento que não deixou ninguém indiferente.

Um dia antes da data internacional que celebra as pessoas com deficiência a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira encheu o Ateneu Vilafranquense com actuações e apresentações da CerciTejo, CerciPóvoa, Associação para a Integração de Pessoas com Necessidades Especiais (AIPNE) e Associação Projecto Jovem (APJ). Durante cerca de duas horas cantou-se e aplaudiu-se o que de melhor o concelho tem para oferecer na luta pela inclusão. Houve ainda tempo para a participação de José Lourenço, presidente do Comité Paralímpico de Portugal.
Cátia Fernandes e Rodrigo Santos são dois dos 38 utentes que diariamente passam os seus dias na APJ. Foram dois dos participantes de um espectáculo que levou o público às lágrimas. Cátia Fernandes, 40 anos, tem uma paralisia cerebral que a deixa praticamente incapaz de comunicar ou movimentar-se. Os pais, Isabel e José Fernandes, contam a O MIRANTE que há 40 anos a medicina não era avançada o suficiente para se prever uma situação de saúde como aquela com que a filha veio a nascer. Depois do teste do pezinho confirmou-se o diagnóstico que abalou a família. Isabel e José Fernandes fazem da sua missão de vida amar e ajudar a filha em tudo o que puderem, sem medos ou preconceitos. “Há pais que procuram esconder os filhos da sociedade, com medo das críticas e olhares. Temos muito orgulho nela e vamos com a nossa filha para todo o lado”, revelam.
Devido ao avançar da idade os pais de Cátia Fernandes receiam que a filha tenha de enfrentar dificuldades quando não estiverem presentes. É a mesma preocupação de Lara Guerreiro, mãe do Rodrigo, de 20 anos, que teme que no futuro o filho não tenha as mesmas condições a que está habituado. Lara Guerreiro confessa que tem sido um caminho difícil, principalmente pela falta de disponibilidade e vagas nas instituições, tendo o filho entrado na APJ apenas em Setembro deste ano. Rodrigo Santos tem um atraso generalizado no desenvolvimento, o que leva a que a locomoção e fala sejam afectadas. No entanto, devido ao esforço e dedicação, consegue adaptar-se rapidamente a várias actividades e novas realidades. “Tem sido difícil lidar com tudo. Quando nasceu fui assolada pela tristeza, pelo ‘porquê a mim?’. Hoje encaro esta realidade com naturalidade, é o meu filho e amo-o mais que tudo”, afirma, com emoção.

Instituição luta para ter lar residencial
Goreti Ribeiro, presidente da APJ há 17 anos, tem vindo a lutar para mudar perspectivas e ajudar aqueles que devido às suas deficiências ainda são marginalizados pela sociedade. Conta a O MIRANTE que há cerca de três anos o principal objectivo da associação passou a ser a criação de um lar residencial. “Uma das nossas preocupações é dar aos nossos utentes a oportunidade de serem acompanhados todo o dia. Temos lutado por um espaço, que ainda não chegou, mas vamos manter-nos positivos”, garantiu. A positividade é uma das características que trabalha com os utentes, tal como o respeito, serenidade, resiliência e capacidade de superação, explica a psicóloga. “Este evento é uma lufada de ar fresco cuja continuidade tem todas as ferramentas necessárias para ajudar a mudar as mentalidades retrógradas que ainda se vão mantendo na sociedade”, sublinha.

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