Sociedade | 14-12-2022 12:00

Está a renascer das cinzas uma associação de Santarém que esteve à beira de ser extinta

Está a renascer das cinzas uma associação de Santarém que esteve à beira de ser extinta
Luís Mena Esteves está a dirigir a Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém desde 2019.

Com o apoio da Segurança Social, a quem deve centenas de milhares de euros, a Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém saneou dívidas a fornecedores, vai acertar contas antigas com funcionários e ganhou nova dinâmica.

Instituição de solidariedade social esteve à beira da extinção mas a equipa que pegou no leme em 2019 está a dar a volta ao texto.

Depois de ter estado à beira da extinção, sufocada em dívidas, a Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém (ADSCS) começa a ver luz ao fundo do túnel. A actual equipa dirigente, que entrou em funções há três anos e meio, está a conseguir dar a volta à delicada situação acertando contas com os fornecedores e abatendo paulatinamente a volumosa dívida que tinha à Segurança Social, que em 2019 andava nos 644 mil euros. A direcção prevê também saldar em breve as dívidas a funcionários que transitaram da anterior gestão. Para isso foi necessário recorrer ao Fundo de Socorro da Segurança Social, uma espécie de tábua de salvação para muitas instituições e que, para a ADSCS, foi vital. Ao todo são cerca de 200 mil euros que vão entrar nos cofres da associação graças a esse apoio de emergência.
Luís Mena Esteves, que preside à direcção da ADSCS, diz a O MIRANTE que a instituição está a recuperar e que tem viabilidade. As contas anuais, desde que assumiram a direcção, têm dado resultado positivo, apesar do esforço feito para saldar dívidas. Só à Segurança Social liquidam uma prestação mensal de quase cinco mil euros, decorrente de um plano de pagamento estabelecido e que está para durar.
Com mais de 60 funcionários, a associação com sede fiscal em Santarém e base operacional em Tremês gere duas creches, em Tremês e Verdelho, conta com um clube sénior em Tremês e disponibiliza apoio domiciliário a cerca de 70 utentes. Tem ainda um serviço de amas contratualizado com a Segurança Social. A instituição tem investido na frota automóvel, imprescindível para os serviços que prestam, já fizeram obras nas instalações e um dos próximos objectivos passa pela ampliação da cozinha central, localizada em Tremês.

Empréstimos, dívidas e obras com derrapagens
Em Junho de 2019, O MIRANTE noticiava que a Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém devia cerca de um milhão de euros e o seu futuro podia passar pela extinção. O presidente da associação há mais de duas décadas e seu fundador, Eliseu Raimundo, tinha-se demitido em Abril de 2019 alegando não ter condições para resolver os problemas gerados pelo descalabro financeiro.
Com uma dívida de 644 mil euros à Segurança Social, a instituição tinha a gestão bloqueada, porque como devia ao Estado não podia receber dinheiro das instituições públicas. As complicações financeiras foram-se avolumando, devido a empréstimos bancários contraídos para ter as valências a funcionar. Só de 2017 para 2018 a dívida da associação à Segurança Social aumentou em cerca de 100 mil euros.
A ADSCS, fundada em 1990, começou a funcionar a balões de oxigénio logo que construiu a primeira creche. Como não tinha acordo de financiamento com a Segurança Social pediu um empréstimo bancário para a obra e mais outro para fazer face à derrapagem no orçamento da construção. O exemplo não foi suficiente para evitar que a direcção liderada por Eliseu Raimundo voltasse a passar pelas mesmas circunstâncias, com a construção da segunda creche. A associação ainda foi vítima de uma dívida da Câmara de Santarém quando era presidida por Moita Flores, no valor de 150 mil euros, relativas ao serviço de fornecimento de refeições a alunos de escolas do 1º ciclo. A dívida só foi paga em 2019, depois de uma batalha judicial que durou cerca de sete anos.

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