Sociedade | 18-12-2022 10:00

SIDA é para levar a sério alerta Grupo de teatro de Alverca

SIDA é para levar a sério alerta Grupo de teatro de Alverca
Há mais de uma década que o grupo de teatro Artifontinhas de Alverca se dedica a levar o teatro aos mais novos

Comédia romântica do grupo de teatro Artifontinhas de Alverca quis alertar para os riscos da doença e incutir nos mais novos a necessidade de levar a sério um vírus que continua a infectar os mais desprevenidos.

Os jovens estão despreocupados e não levam a sério os riscos do vírus que causa síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA) e é preciso reforçar a vigilância e a sensibilização para a doença, que é transmissível sobretudo pela via sexual. Para combater essa crescente despreocupação dos mais novos para com a doença, o grupo de teatro Artifontinhas, de Alverca, decidiu levar a cena uma comédia romântica para quebrar tabus.
“Sexo Inseguro Dá Azar” é o nome da peça que teve ante-estreia no dia 9 de Dezembro no Clube Recreativo e Desportivo de Trancoso e quer passar uma mensagem importante: a SIDA continua a ser um problema e em casos graves pode continuar a matar como o fez no pico dos anos 90.
Com apenas duas personagens a peça retrata uma discussão entre um casal que carrega uma longa história de amor no passado e que acabou de reatar o seu romance. De maneira leve e carregada de humor o público acompanhou as personagens enquanto debatiam as aventuras, os medos e as inseguranças de uma relação a dois, mas em especial da segurança no sexo e do fantasma da SIDA.
“Queríamos fazer uma peça leve e diferente porque acabámos de sair de uma pandemia e acho que as pessoas merecem ter uma oportunidade para rir. Mas ao mesmo tempo queríamos que tivesse alguma moral no final e foi assim que nasceu a peça”, explica a O MIRANTE Renato Charrua, encenador e director do grupo.
O grupo lamenta que nos dias de hoje ainda exista o tabu sobre a SIDA e a sua transmissão e que esse estigma continue a prejudicar a testagem uma vez que as pessoas continuam a ter vergonha de o fazer. Na opinião de Tiago Santos, do grupo de teatro, para os jovens o problema não se prende na falta de informação mas sim na falta de cuidado e de interesse sobre o assunto. “Os jovens simplesmente não ligam e não levam a sério a SIDA”, afirma. Também Bruna Alves, uma das protagonistas da peça, diz que as gerações mais novas precisam de quebrar esse tabu. A jovem actriz acredita que é importante fazer testes com frequência mesmo estando numa relação estável. 
Para Rodrigo Xavier, 23 anos, a imaturidade e o sentimento de invencibilidade dos jovens tolda a razão e o senso comum impedindo-os de perceber a gravidade e a importância da prática de sexo seguro. “Os jovens têm muito este sentimento de que só acontece aos outros e por isso desvalorizam a gravidade da situação”, considera.

Levar o teatro aos mais novos
Os membros dos Artifontinhas garantem que não há sensação mais gratificante do que ver a estreia de uma peça. O grupo foi criado há mais de uma década e tudo começou com um projecto escolar para a disciplina de expressão dramática. Hoje, com nove integrantes, o principal objectivo é trazer mais vida para a zona do Centro Cultural do Bom Sucesso, a nova residência do grupo.
“Queremos trazer diversidade para a zona e temos andado a planear algumas coisas para dinamizar a sala, como música e noites de fado. Estamos a ver o que podemos fazer para trazer mais vida ao centro cultural”, explica Renato Charrua, 28 anos, director do grupo, actor e técnico de iluminação de teatro, o único elemento fundador que continua no grupo.
Já Tiago Santos, 20 anos, é actor profissional e tem a mesma opinião: a melhor parte é sentir o carinho do público. “Não há coisa melhor do que chegar ao palco e ver as pessoas todas prontas à espera do que vou fazer e a olhar para nós. É uma sensação viciante. Continuo a sentir o mesmo nervosismo como se fosse a primeira vez que entro em palco e já faço teatro desde os oito anos”, confessa.

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