Sociedade | 20-12-2022 18:00

Estação de Castanheira do Ribatejo é um “comboio” de problemas

Estação de Castanheira do Ribatejo é um “comboio” de problemas
Comissão de Utentes de Castanheira do Ribatejo realizou um encontro na estação em forma de protesto

Utilizadores do comboio falam em problemas por resolver há vários anos na estação ferroviária de Castanheira do Ribatejo. Coisas aparentemente tão simples como consultar um horário ou tirar um bilhete podem tornar-se complicadas. A segurança deixa a desejar e não há sanitários onde os passageiros possam satisfazer as necessidades.

Ser morador em Castanheira do Ribatejo e depender dos transportes ferroviários tem sido uma luta e uma frustração para os utentes, com queixas que vão desde casas de banho fechadas, bilheteiras que nunca abriram, falta de seguranças e funcionários, escassez de transportes públicos nas imediações e até assaltos em plena luz do dia e roubos de catalisadores nos automóveis estacionados no parque da estação.
Estas são algumas das queixas que a Comissão de Utentes de Castanheira do Ribatejo fez ecoar num encontro na estação a 7 de Dezembro e que contou com a vereadora da coligação Nova Geração (PSD/PPM/MPT) na câmara municipal, Ana Afonso, que classificou a situação de lamentável e inaceitável.
Quem frequenta a estação sente-se inseguro e lamenta o facto da estação parecer uma casa fantasma. Nelson Soares, 64 anos, já foi assaltado duas vezes na estação, sem que nada tenha sido feito para o auxiliar. Há dois meses estacionou o carro, como faz de forma habitual, no parque da estação e seguiu para Lisboa de comboio. Saiu de manhã cedo e regressou a meio da tarde. No regresso, ao ligar o carro, percebeu que algo de errado se passava. “Quando dou à chave oiço um ruído extremamente alto, até as pessoas que estavam a sair da estação mandaram um salto. Roubaram-me o catalisador em plena luz do dia”, queixa-se a O MIRANTE.
Nelson Soares fez queixa na GNR mas como a videovigilância da estação não estava a funcionar os culpados passaram impunes. Noutra ocasião ficou sem o telemóvel enquanto esperava pelo comboio. Procurou ajuda na hora mas sem ninguém que o valesse. A falta de um segurança ou elementos policiais na estação é um dos principais motivos de insegurança dos utentes, que se queixam de impunidade entregue aos infractores.

Falta de transportes não ajuda
Mais e melhores horários dos transportes rodoviários que façam a ligação com a estação é outra das reivindicações dos utentes. Angelina Alves conta que há vários anos que os transportes rodoviários deixaram de parar pelas imediações da estação, apesar de haver ali uma paragem rodoviária já com a nova sinalética. Por esse motivo, a moradora vê-se forçada a andar a pé até casa. Fernando Moreira, outro utilizador da estação, vai ao encontro desta opinião quando conta que há vários anos que as casas de banho deixaram de funcionar. O vandalismo foi a razão apresentada para encerrar os espaços. Também o mau funcionamento das bilheteiras gera críticas. “Estão constantemente avariadas e somos obrigados a pagar a tarifa extra já dentro do comboio”, lamenta.
A Infraestruturas de Portugal (IP) já tinha explicado que o constante vandalismo nas casas de banho inviabilizava o seu funcionamento em condições de segurança e higiene. A empresa dizia a O MIRANTE, no entanto, que não tem recebido reclamações ou informações sobre falta de limpeza do espaço. Já a Comboios de Portugal, que tem a responsabilidade da operação, explicava anteriormente ao nosso jornal que as máquinas de venda automática “têm permitido dar resposta à procura registada” e que têm incluída uma ligação a um centro de apoio “que disponibiliza informação e auxilia os clientes na aquisição dos títulos” sempre que houver algum problema. Lembrava, também, que os títulos podem ser comprados a bordo dos comboios, uma vez que não parece haver, da parte da CP, intenção de tão cedo abrir a bilheteira da Castanheira.

Balcões SNS 24 geram queixas

A comissão de utentes aproveitou a visita para expor também vários problemas que têm sido sentidos nos novos balcões SNS 24 instalados pelo município. Pedro Gago, líder da comissão, explica que ao tentar ter acesso ao balcão SNS 24 criado na antiga Junta das Cachoeiras lhe foi negado o acesso apesar de não ter médico de família. “A explicação que me deram, e pasme-se com isto, foi que aqueles balcões eram para servir exclusivamente os moradores das Cachoeiras, não de Castanheira”, critica. O município já tinha informado que os balcões abriram ainda numa fase experimental e que, na União de Freguesias de Castanheira do Ribatejoe Cachoeiras, só futuramente será aberto um balcão para servir os moradores da Castanheira.

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