Sociedade | 24-12-2022 07:00

Apresentação da Fábrica da Cultura em Minde começou com um protesto contra lóbis da cultura

Apresentação da Fábrica da Cultura em Minde começou com um protesto contra lóbis da cultura
Bailarino Rafael Carriço interrompeu a sessão de apresentação do projecto Fábrica da Cultura de Minde e acusou Governo e agentes culturais de não apoiarem artistas. A vereadora da cultura de Alcanena tentou conversar e saber mais sobre a sua revolta

Rafael Carriço, da companhia de dança Vórtice Dance, de Fátima, criticou, na apresentação da Fábrica da Cultura em Minde, gestores culturais e os gastos em “projectos megalómanos numa região que não existe culturalmente”.

Rafael Carriço, da companhia de dança Vórtice Dance, de Fátima, interrompeu a sessão de apresentação pública do projecto Fábrica de Cultura em Minde. O dançarino levantou-se da plateia e interrompeu o debate acusando o Estado e as entidades gestoras da cultura de não ajudarem os artistas e de gastarem fortunas em projectos megalómanos e insustentáveis.
“Estes senhores que estão a representar entidades culturais não querem saber muito dos artistas, como da minha companhia de dança que está nesta região há 22 anos. Acho estapafúrdio o que vai acontecer nesta fábrica. Vai ser uma nova roubalheira. Investimentos como este só servem para uma série de construtores e arquitectos virem para aqui fazer projectos megalómanos numa região que não existe culturalmente. É muito complexo brincarem com os artistas nacionais que merecem maior dignidade”, afirmou tendo saído imediatamente do espaço.
No exterior da fábrica, a vereadora da Cultura da Câmara de Alcanena, Marlene Carvalho, ainda tentou conversar com o artista mas este manteve-se irredutível na sua opinião e foi embora. A apresentação, que decorreu no dia 14 de Dezembro em Minde, começou com a participação do produtor cultural Pablo Berástegui, responsável por vários projectos como o Centro Cultural Matadero Madrid. Contou ainda com um painel moderado por José Pina, director do Teatro Aveirense, com as participações do Director-Geral das Artes, Américo Rodrigues, do presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, do antropólogo Paulo Lima e do criativo Carlos Bernardo. João Aidos, actual director artístico do Teatro Municipal de Ourém, a colaborar com o município de Alcanena na concepção da Fábrica da Cultura de Minde, afirmou que o projecto apresentado, com o estudo prévio do edifício desenhado pelo arquitecto Gonçalo Nobre, resulta de uma aposta na cultura para “alavancar o território”.

Fábrica da Cultura é um sonho ambicioso em Minde

Câmara de Alcanena quer aliar criatividade, inovação e investigação na Fábrica da Cultura de Minde, mas o secretário de Estado da Administração Local apelou a que se sonhe com os pés assentes na terra. Sessão de apresentação do projecto ficou marcada pelo protesto de um artista que estava na plateia e acusou o Governo e os agentes culturais de não apoiarem as companhias e os artistas nem lhes darem palco para mostrarem a sua arte.

A Câmara de Alcanena apresentou o projecto para a Fábrica da Cultura de Minde, antiga unidade têxtil adquirida para aliar criatividade, inovação e investigação num investimento estimado em 6,5 milhões de euros a candidatar a fundos comunitários. Ainda em fase de estudo prévio, o projecto, a desenvolver numa estrutura com 6.500 metros quadrados situada entre o aglomerado urbano e o polje de Minde/Mira d’Aire, propõe-se juntar a produção artística, beneficiando da forte tradição cultural de Minde, à criatividade, tecnologia e investigação, envolvendo, nomeadamente, os Politécnicos de Tomar e de Leiria, a Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e o Centro de Investigação da Nova.
Na sessão de encerramento, o secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Carlos Miguel, invocando a sua experiência autárquica, alertou para o valor que considera subestimado face à área do equipamento (estimou que possa chegar ao dobro), e para a sua dimensão, salientando que os 12.500 habitantes do concelho cabem dentro do edifício. Carlos Miguel considerou o projecto “muito interessante”, não só por se propor recuperar e revitalizar, com novas valências que acrescentam valor, um “património industrial de referência”, mas também por aliar a valorização do património ambiental que o rodeia (o polje e a serra).
Referindo que a autarquia conta com o Governo e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro como parceiros, Carlos Miguel afirmou que, de entre as várias opções possíveis de financiamento, será preciso fazer escolhas, advertindo que o Portugal 2030 “não vai ter um euro de investimento que não seja sustentável”. “Se não forem justificados ambientalmente não serão apreciados”, disse, apelando a que se sonhe “com os pés assentes na terra”.
Depois de um ano a visitar vários espaços, em Portugal e no estrangeiro, e a ouvir a comunidade e os empresários, o projecto aposta, segundo o presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, nas indústrias culturais e criativas para “criar inovação através de uma interacção singular entre a cultura, criatividade, tecnologia, gestão e mundo empresarial”. Salientando que o município integrará o grupo do sector das indústrias culturais e criativas do Enterprise Europe Network e está já no New European Bauhaus, Rui Anastácio referiu a importância do projecto, não só para fixação de empresas e pessoas, mas também para aproveitamento do fluxo turístico que aflui a Fátima, Alcobaça e Batalha.

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