Sociedade | 24-12-2022 15:00

Novo aeroporto em Benavente não gera consenso entre a população

Novo aeroporto em Benavente não gera consenso entre a população
Claudino Serrano não vê com bons olhos a construção de um aeroporto no concelho. Augusto Marques, presidente da Junta de Samora Correia

Claudino Serrano é proprietário de uma loja em Samora Correia há mais de 50 anos e é contra a localização do novo aeroporto no Campo de Tiro da Força Aérea. Domingos Sobrinho, cliente, defende que era uma infraestrutura importante para as gerações futuras. O presidente de junta tem a mesma opinião e sublinha que a preservação dos ecossistemas tem de ser assegurada.

Na Avenida O Século, a artéria mais movimentada de Samora Correia, Claudino Serrano é proprietário de uma loja há mais de 50 anos. O cheiro a madeira antiga e pasta de papel é o reflexo de um local repleto de histórias. Claudino nasceu em Samora Correia em 1936 e continua a ser um dos rostos mais conhecidos da cidade do concelho de Benavente. É proprietário de um espaço onde se vende todo o tipo de produtos, mas onde também se reúnem pessoas para debater temas da actualidade.
A loja vai fechar brevemente para que o comerciante “possa ver o que ainda não viu com a sua mulher e filhos”. No dia da conversa com O MIRANTE, Claudino discutia vários temas com o cliente Domingos Sobrinho, nomeadamente a inflação, a guerra na Ucrânia e o assunto do momento: a possibilidade de se construir o novo aeroporto na sua freguesia.
“Era uma desgraça para aqui. É bom para os indivíduos que vão lucrar com isso, mas para nós, não”, diz Claudino, descontente com a possível construção do aeroporto no Campo de Tiro da Força Aérea. “O maior problema é o barulho. E as árvores e os terrenos da lezíria, todas aquelas espécies silvestres que podem desaparecer”, acrescenta.
Domingos Sobrinho defende uma posição diferente; vê a fixação de pessoas que resulta de uma infraestrutura de tal envergadura como uma oportunidade. “Existem espécies sazonais de aves na lezíria que iriam ser postas em risco. Mas espero que o aeroporto venha para cá, pelas gerações futuras”, refuta. O cliente explica que foi operador central de uma empresa, já falida, responsável pelo planeamento da construção das vias rápidas que ligariam o aeroporto no então denominado Campo de Tiro de Alcochete a vários pontos do país. “Há 20 anos, recebi um dossiê com os acessos ao aeroporto que se ia instalar aqui, com os traçados todos em papel. Passaram duas décadas e continuamos na mesma”, vinca.
Com a conversa a prolongar-se para lá do pôr-do-sol, todos os argumentos e contra-argumentos usados na loja de Claudino Serrano são uma excelente representação da divisão de opiniões da população de Samora Correia em relação ao assunto. Contudo, os dois que deveriam acabar com a confusão no uso da designação de Alcochete para se referir a um aeroporto que, a ser erguido, será no território da freguesia de Samora Correia, no concelho de Benavente.
A mesma opinião tem Augusto Marques, presidente da Junta de Freguesia de Samora Correia. “Sei que as pessoas de cá se sentem muito mal com este modo de falar; está a demorar a corrigir para o termo correcto”, lamenta. Quanto aos impactos sociais e ambientais da construção do aeroporto, o autarca não desmente a existência de mudanças de base na vivência da cidade, sendo que prevê “que o aeroporto vai ter implicações significativas para a população. Augusto Marques admite que possa existir “alterações no território”, mas que “a floresta de sobreiro e o Estuário do Tejo são para preservar a todo o custo”.
Texto: Martinho Cruz
Editado por: Bernardo Emídio.

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