Sociedade | 24-12-2022 10:00

Santuário de Fátima refuta críticas de antigo reitor

Santuário de Fátima refuta críticas de antigo reitor

Luciano Guerra referiu-se aos alegados elevados salários pagos no Santuário, afirmando que “um padre é um padre, não pode, de maneira nenhuma, comparar-se a um administrador de uma empresa”.

O Santuário de Fátima refutou as críticas de “intelectualização” daquele espaço feitas pelo antigo reitor Luciano Guerra, lembrando os convites deste a artistas nacionais e até internacionais para interpretarem a mensagem de Fátima através de obras de arte. Em comunicado, os responsáveis pelo maior santuário mariano do país sublinham que Luciano Guerra iniciou mesmo “os congressos internacionais que reuniram na Cova da Iria grande parte dos teólogos pensadores da contemporaneidade”, acrescentando que as críticas deixadas no dia 22 de Dezembro numa entrevista ao semanário Jornal de Leiria, revelam “uma grande contradição entre aquela que foi a ousadia do então reitor (…), que durante 35 anos nunca deixou que o Santuário cristalizasse na sua ação pastoral e procurou que fosse sempre evoluindo, mas que agora manifesta total oposição a toda a evolução verificada desde 2008”.

Em entrevista ao Jornal de Leiria, o antigo reitor do Santuário de Fátima Luciano Guerra alertou para a necessidade de “um enorme esforço de purificação do Santuário, no sentido de o fazer voltar-se para o público de peregrinos”. Monsenhor Luciano Guerra, que foi reitor durante 35 anos, tendo deixado o cargo em 2008, considerou que, depois de nos seus mandatos a “prioridade” ter sido “os peregrinos em geral, os quais podem considerar-se pobres, a classificação humana que mais convém aos filhos de Deus”, hoje a situação é diferente. “No actual programa do Santuário, o fito primário mais explícito são os intelectuais” e “a dedicação total à intelectualidade não deixa espaço para a dedicação aos pobres”, afirma.

Na entrevista, em que assume um tom muito crítico para com a atual gestão do maior templo mariano do país, Luciano Guerra reforça que “prevalece a intelectualidade e a arte. Em plano secundário fica a grande massa de peregrinos, gente simples pobre e humilde, a gente que, na realidade, Nossa Senhora convida para vir a Fátima”. E mais: “Fez-se uma esplendorosa celebração do centenário [das aparições, em 2017]. Houve muita música e outras manifestações artísticas. Fazem-se ainda hoje exposições maravilhosas, mas que a meu ver ficam demasiado caras e, até por isso, de resultado pastoral menos evidente. O peregrino que vem a Fátima não precisa senão de um ambiente de oração”, acrescenta.

No comunicado, a actual Reitoria do Santuário de Fátima afirma respeitar “o passado e a obra deixada por Monsenhor Luciano Guerra que, ao longo dos 35 anos de reitorado, deu corpo a uma política de investimentos que passou sobretudo pela construção de grandes espaços celebrativos, que hoje cabe administrar e conservar com o mesmo empenho com que foram construídos – apesar das críticas, à época e de hoje, consumirem grande parte dos recursos orçamentais”, sublinhando a sua importância “para o acolhimento dos peregrinos e para lhes proporcionar um verdadeiro ambiente de oração”.

“A administração está sempre ao serviço da missão pastoral do Santuário. Na fidelidade a essa missão e ao Evangelho, o Santuário procura sempre estratégias para uma maior eficiência da sua ação e para uma otimização dos seus recursos, sem nunca pôr em causa o acolhimento dos peregrinos, o respeito pelo destino dos bens doados e o apoio aos mais pobres e vulneráveis. É assim que tem sido, e assim continuará a ser”, assegura a reitoria.

Outra crítica deixada por Luciano Guerra refere-se aos alegados elevados salários pagos no Santuário, com Luciano Guerra a afirmar que “um padre é um padre. Não pode, de maneira nenhuma, comparar-se a um administrador de uma empresa, mesmo que os leigos que o sacerdote dirige recebam salário superior”. O ex-reitor lamentou também pela forma como foram admitidos ou dispensados alguns funcionários no Santuário nos últimos anos. “Houve trabalhadores que praticamente foram expulsos, a vários outros (…) teve a instituição de pagar altas indemnizações; outros saíram e calaram-se, com receio de retaliações. Quase de rompante, foram admitidos mais de 130 novos funcionários, numa casa que tinha 210. Houve uma série de pessoas que foram empurradas para sair”, referiu o antigo responsável.

O Santuário, no comunicado, assegura que “nunca deixou de cumprir qualquer obrigação, desde logo com os seus funcionários: não despediu nem forçou a saída de qualquer colaborador, apenas adaptou o seu quadro de pessoal às necessidades pastorais resultantes de um novo contexto, que obrigou a uma redução muito significativa da actividade do Santuário em 2020, que se prolongou ainda durante o ano de 2021 e que só este ano de 2022, felizmente, começou a ser retomada”.

“Neste período, particularmente difícil para as famílias e para a Igreja, o Santuário nunca faltou, por outro lado, com a correspondente ajuda social, incrementando e intensificando o apoio material a quem dele mais precisava e à Igreja em geral”, garantem os responsáveis pelo templo da Cova da Iria, para os quais, a opinião de Luciano Guerra “resulta de uma leitura pessoal (…), onde se nota um alheamento do que é hoje o Santuário no contexto da Igreja e do mundo, que carece de fundamentação, e revela um profundo desconhecimento da atual gestão do Santuário e dos desafios com que se confronta”. Monsenhor Luciano Guerra, de 90 anos, desempenhou as funções de reitor do Santuário de Fátima entre 1973 e 2008.

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