Sociedade | 26-12-2022 10:00

Em liberdade responsáveis por desfalque de 135 mil euros na Junta de Montalegre

Em liberdade responsáveis por desfalque de 135 mil euros na Junta de Montalegre
Ex-secretário da Junta de Santiago de Montalegre e empresário de Vila de Rei foram detidos por suspeita dos crimes de peculato e falsificação. fotoDR

Um ex-secretário da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre e um empresário são suspeitos dos crimes de peculato e falsificação que lesaram os cofres da autarquia em mais de 135 mil euros.

O ex-secretário da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, concelho de Sardoal, e um empresário, detidos a 14 de Dezembro por suspeita dos crimes de peculato e falsificação, vão aguardar o desenrolar do inquérito em liberdade condicionada, divulgou a Polícia Judiciária (PJ). “Ao antigo secretário foi decretada a proibição de contacto com a presidente e a tesoureira e de se aproximar da junta”, disse a mesma fonte.
O empresário de Vila de Rei, em cuja empresa trabalha o ex-autarca, fica obrigado a “apresentações três vezes por semana às autoridades e proibição de ir à junta”, disse a fonte da PJ, relativamente às medidas de coacção decididas no dia 15 pelo juiz de instrução criminal. Os dois homens foram detidos por estarem “fortemente indiciados pelos crimes de peculato e de falsificação”, tendo lesado a Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre em valores na ordem dos 135 mil euros, anunciou a Polícia Judiciária.
Em comunicado, a Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Leiria, revelou que a acção decorreu “no seguimento de denúncia recebida em Setembro passado”, efectuada pela presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, e da “investigação entretanto desenvolvida”.
No dia 14 de Dezembro foram cumpridos os mandados de detenção emitidos pelo Ministério Público de Tomar aos dois homens, um dos quais o antigo secretário da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre e o outro “empresário na região”, existindo entre os dois uma “relação de amizade e profissional, o que permitiu o conluio para tirar dinheiro da junta que usaram em proveito dos negócios” de ambos.
“A factualidade relatada indicava a apropriação por um dos arguidos, entre 2017 a 2022, no exercício da função de secretário da junta, de valores ainda não cabalmente apurados, superiores a 135 mil euros”, adianta a PJ, na nota. Ainda segundo a PJ, o antigo autarca, “fazendo seu o dinheiro público, através de movimentos com cartão bancário, transferências ou por falsificação de cheques da junta, aplicava parte dos valores em benefício de outrem, pessoa das suas relações privilegiadas e co-arguido, também detido”.
Em declarações à Lusa, a presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, Dora Santos, confirmou ter sido ela a fazer a participação da suspeita de desvio de dinheiro. “Sim, confirmo a presença da Polícia Judiciária nas instalações da junta de freguesia, no mês de Setembro e fui eu a fazer nesse mês a participação da suspeita de desvios de dinheiro às autoridades”, disse a autarca, eleita pelo PSD.
Ainda segundo Dora Santos, o antigo secretário ainda “propôs devolver o dinheiro”, mas tal “nunca aconteceu”. Na assembleia de freguesia realizada em 3 de Outubro, onde se debateu a questão, foi votado favoravelmente o pedido de renúncia de mandato do secretário, que invocou “razões pessoais”, relatou.
Dora Santos acrescentou ainda que o antigo secretário terá garantido ao executivo da junta de freguesia que “iria devolver o dinheiro até 30 de Setembro, o que não aconteceu”, tendo sido “proposta, por ‘e-mail’, nova data de reposição do dinheiro”, até 7 de Outubro, “o que também não se verificou”.

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