Sociedade | 31-12-2022 12:00

O enfermeiro que sonha ser cantor profissional

O enfermeiro que sonha ser cantor profissional
Diogo Carapinha é enfermeiro mas sonha com uma carreira no mundo da música

Diogo Carapinha nasceu em Santarém e vive em Fazendas de Almeirim.

É enfermeiro mas desde criança que é apaixonado por música. Aos 11 anos descobriu esse mundo que considera mágico e nunca mais parou. Escreveu e lançou nas plataformas digitais cinco músicas originais. Trabalha há cerca de cinco anos numa clínica privada e agora concilia com a participação no programa de televisão The Voice. Sonha em editar o seu disco e com um lugar no mundo da música portuguesa.

Diogo Carapinha não é muito de cantar no local de trabalho mas por vezes trauteia músicas, em voz baixa, enquanto percorre os corredores da clínica onde trabalha como enfermeiro. Os seus pacientes dizem-lhe logo que está feliz. “Respondo que estou sempre alegre, a diferença é que naqueles dias estou a cantar”, conta a O MIRANTE o jovem, de 29 anos, que caminha a passos largos para a final do concurso televisivo The Voice. Natural de Santarém, mas a viver em Fazendas de Almeirim, concelho de Almeirim, Diogo Carapinha tem duas paixões: a enfermagem e a música. Sempre quis trabalhar na área da saúde mas em criança apaixonou-se pela música.
Das coisas que mais gostava em criança era das viagens de carro em família quando o seu pai colocava um CD para ouvir. “Podia ser fado, Queen ou José Cid. Qualquer tipo de música transportava-me para um mundo mágico que não percebia bem o que era mas que me deixava feliz”, recorda. Só no 5º ano de escolaridade, aos 11 anos, percebeu que poderia aprender música. Tinha aptidão e facilidade em aprender. Começou pelo sonho de ser violoncelista, pela sonoridade. “É um instrumento que tem qualquer coisa de especial. Aprendi muito sozinho, sou autodidacta”, refere.
No 5º ano pediu à mãe para ir estudar para o Conservatório de Santarém mas acabou por esquecer a ideia uma vez que a mãe achou que não seria a melhor área para investir no seu futuro. Mas o bichinho da música já estava lá. Entretanto surgiu a oportunidade de frequentar a escola da Sociedade Filarmónica Alpiarcense 1º Dezembro. Foi lá que aprendeu solfejo e saxofone alto. Três meses depois já tocava saxofone na banda. Também aprendeu a tocar flauta transversal. Nessa altura convidaram-no para ir para o coro de Alpiarça. “Foi no coro que descobri que até era afinado e sabia cantar. A minha formação musical começou no coro, foi lá que comecei a trabalhar a voz”, conta.
Na Escola Superior de Saúde de Santarém passou a integrar duas tunas: a Scalabituna e a Arriba-Ó-Tunapikas. “Aos 16 anos já sabia que queria muito ser cantor mas só tive a certeza absoluta que era num palco que queria estar quando participei num programa de televisão em 2021. A sensação que tive em palco foi ter a certeza que é mesmo isto que quero”, sublinha.
Diogo Carapinha sonha com um lugar no mundo da música portuguesa mas gostava de conseguir conciliar com a enfermagem por gostar do lado de cuidador. Tem cinco músicas originais que já lançou nas plataformas online. Se vencer o The Voice, um dos prémios é um contrato com uma editora. É a cantar que se sente livre e o programa de televisão tem-lhe dado muita experiência de palco. “Qualquer palco me faz feliz, seja a cantar para dez pessoas ou para 1000. O meu maior prazer é cantar. Se pudesse escolher gostava de actuar no Rock in Rio ou na Altice Arena”, confessa.

O SNS, a eutanásia e as mudanças de sexo

Diogo Carapinha trabalha numa clínica particular há cerca de cinco anos. Apesar de ter concorrido algumas vezes para o sector público as oportunidades mais rápidas surgiram no sector privado. O enfermeiro considera que os momentos mais gratificantes no trabalho são quando os doentes são gratos pelo que ele e os colegas fazem. O mais difícil da profissão são os laços que criam com os utentes e eles morrem. “Deixam sempre uma marca em nós”, garante.
O jovem defende que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma mais-valia em Portugal. Diz que mesmo que não funcione da melhor maneira e tenha falhas deveríamos estar agradecidos por ter um SNS, o que não acontece em alguns países mais evoluídos. Em relação à eutanásia defende ser uma questão delicada mas considera que se deve dar liberdade às pessoas de escolher. “Cuidar também é saber respeitar a opinião de cada pessoa. Não tenho uma opinião definida sobre o tema mas respeito. Se fosse médico teria que avaliar bem a situação, perceber o sofrimento da pessoa e ter a certeza absoluta que não existia mais opção nenhuma para o doente”, realça.
Diogo Carapinha concorda que o Estado financie as cirurgias de mudança de sexo a quem precisa. “Todos somos diferentes e se alguém se sente ‘preso’ num corpo que não considera ser o correcto deve fazer tudo para se sentir bem. Felizmente, a medicina está muito avançada e é possível mudar vidas”, refere o enfermeiro.

Uma música dedicada à sobrinha que sofre de doença rara

Diogo Carapinha decidiu, em 2020, compor uma música de homenagem à sua sobrinha Carminho, de cinco anos, que foi diagnosticada com uma doença rara, Síndrome de West, que se caracteriza por convulsões. Aos cinco meses Carminho tinha um desenvolvimento normal que começou a regredir com as convulsões descontroladas que provocaram lesões cerebrais.
A letra da música foi escrita há alguns anos e inicialmente era uma versão para fado que Diogo entretanto colocou de lado. Quando a sua irmã, também enfermeira, começou a recolha de tampinhas, Diogo lembrou-se de escrever uma música para a sobrinha mais nova. A letra de “Um Anjo sem Asas” surgiu numa tarde em sua casa. Em frente ao computador, com um microfone, um piano e material de gravação, a nova versão da música começou a ganhar forma. O videoclip foi gravado no Museu dos Patudos, em Alpiarça. “Era uma vez um anjo que não podia voar” conta ainda com a participação dos músicos Pedro Pinhal (viola), Susana Castro Santos (violoncelo) e Patrícia Tomé (violino).
Carminho tem tido boas evoluções e a doença não tem cura mas desaparece por volta dos cinco ou seis anos de idade. As convulsões desaparecem mas os danos cerebrais estão lá. A família está a ponderar levá-la à Tailândia onde existe um tratamento inovador, que tem tido “muito bons resultados” com crianças com a mesma doença. A família continua a recolher tampinhas para os tratamentos da sobrinha de Diogo Carapinha.

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