Sociedade | 05-01-2023 12:00

A obesidade é considerada uma doença que potencia outras doenças

A obesidade é considerada uma doença que potencia outras doenças
Sónia Gonçalves, médica responsável pela consulta de obesidade no Hospital CUF Santarém, com Graça Inácio que perdeu 70 quilos (ver caixa da entrevista)

Sónia Gonçalves é médica de medicina interna e especialista em consultas de obesidade no Hospital CUF Santarém

A obesidade é reconhecida como doença e Portugal foi dos primeiros países a fazê-lo. Ninguém gosta de ser obeso de ver a sua estética ao espelho, mas o maior problema da obesidade são as doenças associadas, como a diabetes, hipertensão, doenças respiratórias e cardiovasculares, que podem originar acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou enfarte do miocárdio. Há cancros, como o colorrectal, o que causa mais mortes em Portugal, que também podem ser influenciados pelo peso excessivo. Na CUF Santarém há uma equipa multidisciplinar que enfrenta os problemas da obesidade de doentes que normalmente chegam ao hospital já desestruturados após várias dietas falhadas. Para se tratarem, os doentes precisam de força de vontade e assumirem um compromisso para a vida de modo a serem mais felizes.

Publicamos aqui um excerto da entrevista que pode ler na íntegra na edição semanal em papel desta quinta-feira, 5 de Janeiro

A falta de cuidado com a alimentação das crianças pode marcá-las em adulto?

Sem dúvida. A obesidade é uma doença crónica, complexa multifactorial. Os hábitos alimentares e o estilo de vida têm muita influência. Se a família tem hábitos pouco saudáveis isso reflecte-se futuramente. Crianças obesas, com pais obesos serão tendencialmente obesos na idade adulta.

Quem tem excesso de peso tem consciência do que é que lhe faz mal. Têm consciência das questões da alimentação?

Têm noção do que realmente lhes faz mal, mas precisam de um acompanhamento para que haja uma reeducação alimentar e do seu estilo de vida. Ainda há muito estigma em redor da obesidade. A obesidade não tem de ser vista como uma responsabilidade da pessoa, ninguém quer que essa condição de saúde que lhe vai trazer outras doenças associadas. Os doentes quando nos chegam já vêm desestruturados, já fizeram várias tentativas de para perder peso, quer com o apoio de nutricionistas, quer com programas de farmácias com dietas altamente restritivas que até podem funcionar, mas funcionam temporariamente. Por isso é que precisam de um acompanhamento multidisciplinar e de forma sustentada.

Essas dietas que funcionam temporariamente vão afectar ainda mais o estado psicológico das pessoas.

Nessa parte também precisa de acompanhamento. Os nossos doentes que vêm à procura de uma consulta de obesidade, quer por iniciativa própria, quer referenciados por outros médicos, têm um acompanhamento por uma equipa de medicina interna, cirurgia geral, nutrição, psicologia e equipa de enfermagem. Estes doentes precisam de facto de apoio psicológico. E é precisa força de vontade da pessoa.

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