Sociedade | 08-01-2023 10:00

Na Póvoa e Forte da Casa utilizou-se lixo das ruas para enfeites de Natal

Na Póvoa e Forte da Casa utilizou-se lixo das ruas para enfeites de Natal
José Rosa e Carlos Brito são dois dos funcionários da UF da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa que fizeram enfeites de Natal com materiais recolhido

Num ano em que o concelho de Vila Franca de Xira praticamente não tem iluminação nem decoração alusiva à quadra natalícia, valeu o esforço de vários trabalhadores da União de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa que meteram mãos à obra para tentar dar algum espírito natalício às duas localidades.

Árvores de Natal, personagens do presépio, velas e trenós com renas são alguns dos enfeites alusivos à quadra feitos com materiais reciclados pelos funcionários da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa. Todos os anos os trabalhadores da junta metem mãos à obra recuperando materiais e monos que tiram das ruas e dão novo uso ao lixo. Este ano, com a falta de iluminação de Natal no concelho, foram os seus adereços que acabaram por dar algum espírito da quadra a quem passa nas principais rotundas das duas localidades.
José Rosa, 61 anos, e Carlos Brito, 53 anos, são dois dos trabalhadores da junta que participaram na realização das decorações de Natal juntamente com outros colegas e os enfeites demoraram vários meses a ser feitos. Outros transitaram de anos anteriores. “Temos uma união de freguesias com mais de 40 mil pessoas e todos os dias os nossos colegas da recolha de monos apanham camionetas cheias de móveis, madeiras e lixo. Pensámos: porque não aproveitar algumas dessas madeiras e realizar alguns projectos? E foi isso que fizemos!”, contam a O MIRANTE.
Já no passado o cadeirão do Pai Natal foi feito com recurso a um cadeirão que tinha sido deitado fora e recuperado pelos trabalhadores para ganhar nova vida, dando sentido às máximas reaproveitar, reciclar e reutilizar. Todos os anos o grupo planeia, desenha, corta as madeiras e monta novos enfeites, substituindo alguns que com o passar dos anos se vão degradando, tanto pela exposição à chuva e vento, como devido a acidentes e actos de vandalismo. “É muito reconfortante ouvir os elogios das pessoas a estes nossos trabalhos, dá-nos motivação para fazer mais e melhor. Quanto maior o desafio, mais interesse temos”, contam.
O grupo desenhou, moldou, cortou e montou os diferentes projectos e contou com uma ajuda que consideraram essencial na pintura dos enfeites, vinda do artista do Forte da Casa, João Pereira, que O MIRANTE entrevistou em 2022 aquando da criação e pintura do mural do Museu do Ar em Alverca do Ribatejo. “Foi uma ajuda imprescindível e alguém cuja atitude altruísta nos motivou ainda mais”, comentam.

Dar vida à madeira
José Rosa chegou à junta através do fundo de desemprego há uma década, depois de uma vida como carpinteiro internacional onde criava cenários para palácios e museus um pouco por toda a Europa. Carlos Brito está há mais de 30 anos como funcionário ao serviço da união de freguesias depois de dois programas de Ocupação de Tempos Livres (OTL), sendo hoje o encarregado geral operacional da oficina de serralharia.
Para ambos, trabalhar madeira ou restaurar mobiliário público, como bancos de jardim, são dos desafios diários que mais gozo lhes dá, mas admitem que o tempo que passam em torno das decorações de Natal lhes dá outro ânimo devido ao espírito da época. Os funcionários lamentam a falta de mais iluminação de Natal, pois acreditam que dava mais energia e ânimo aos moradores e aos seus enfeites, mas entendem as razões que levam à não colocação das mesmas.
“Se a autarquia tivesse dinheiro podem ter a certeza que a união de freguesias seria das mais iluminadas, porque nós temos muito orgulho no que fazemos e da missão que temos para com os moradores. Só queremos que se lembrem que fizemos o melhor que pudemos com o que temos e em prol de todos”, concluem os trabalhadores.

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