Sociedade | 09-01-2023 21:00

Alhandra e Forte da Casa começam o ano sem médicos de família

Alhandra e Forte da Casa começam o ano sem médicos de família
Na Unidade de Saúde Familiar do Forte da Casa passa apenas a haver consultas de saúde materna e infantil e serviços de enfermagem

Os rumores confirmaram-se: Alhandra e Forte da Casa ficaram sem médico de família. A população terá que rumar ao Centro de Saúde da Póvoa de Santa Iria ou ao Hospital de Vila Franca de Xira. No Forte da Casa só há consultas de saúde materna e infantil e serviços de enfermagem.

A falta de médicos de família está a agravar-se no concelho de Vila Franca de Xira e os centros de saúde de Alhandra e do Forte da Casa entraram no novo ano sem médicos de família ao serviço. Uma realidade que há muito era esperada e que já havia sido divulgada em primeira mão por O MIRANTE no final do Verão de 2022. O Centro de Saúde de Alhandra ficou sem médico de família desde quinta-feira, 29 de Dezembro. A Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo já esteve reunida com a junta de freguesia no dia 28 de Dezembro e Mário Cantiga, presidente da União de Freguesias de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz, não aceita essa decisão e garante que tudo fará para que seja revertida. O autarca já solicitou uma reunião urgente com a Câmara de Vila Franca de Xira para apresentar propostas que possam colmatar o problema.
Sem médicos na freguesia os utentes têm como alternativa recorrer ao Centro de Saúde da Póvoa de Santa Iria ou as urgências do Hospital de Vila Franca de Xira. A Administração Regional de Saúde diz que a unidade de saúde de Alhandra não vai fechar, mantendo “alguns serviços”, mas entretanto também a Unidade de Saúde Familiar do Forte da Casa ficou sem médicos. As portas da unidade de saúde local vão passar a efectuar apenas consultas de saúde materna e infantil e serviços de enfermagem.
O anúncio foi feito pela directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Estuário do Tejo, Sofia Theriaga. A falta de médicos agravou-se durante a pandemia e mesmo após esse período a qualidade do serviço prestado foi sempre a piorar. As consultas eram constantemente desmarcadas e adiadas e as reclamações dos utentes foram subindo de tom, sobretudo ao balcão, com a revolta a ser dirigida ao pessoal administrativo.
O MIRANTE sabe que se tentou, como solução, a colocação de médicos de empresas prestadoras de serviços, mas sem sucesso. Chegaram a acontecer situações caricatas como, por exemplo, no primeiro dia de prestação de serviços de um desses médicos, e já com os utentes à espera para terem consulta, o clínico não chegou sequer a “aquecer a cadeira” por alegada “falta de condições”.
Na unidade de saúde do Forte da Casa mantém-se a funcionar a prescrição de receitas para doentes crónicos, relatórios clínicos e certificados de incapacidade temporária (baixas). Estes serviços também podem ser solicitados no balcão SNS24, a funcionar na delegação da Junta de Freguesia do Forte da Casa.

PCP acusa PS de “desvalorizar preocupações”

Em comunicado a comissão concelhia de Vila Franca de Xira do PCP acusa a Junta de Freguesia de Alhandra de “simular surpresa” sobre a falta de médicos e reitera que na assembleia de freguesia “não só desvalorizaram as preocupações demonstradas pelos eleitos da CDU, como chumbaram uma moção que instava o órgão a uma tomada de posição relativamente a esse problema”.
O PCP agendou entretanto uma concentração para dia 5 de janeiro, às 18h00, em frente ao Centro de Saúde de Alhandra para apelar à manutenção da sua actividade e com os médicos necessários.
Neste momento existem 30 mil pessoas sem médico no concelho de VFX e de acordo com os indicadores poderão passar a ser 52 mil dentro de poucas semanas.

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