Sociedade | 11-01-2023 10:00

Pedro Lobo faz arte com técnicas de bondage e sadomasoquismo

Pedro Lobo faz arte com técnicas de bondage e sadomasoquismo
Pedro Lobo espera que a sua arte ajude a desfazer tabus sobre a sexualidade

Pedro Lobo, de Minde, venceu o prémio Mostra Nacional de Jovens Criadores, na área da cerâmica, com peças em que o barro, numa das obras, é moldado com cordas como se faz nas práticas sexuais de bondage e sadomasoquismo.

A aceitação das pessoas pelas peças fálicas de cerâmica das Caldas da Rainha, onde estuda, deu-lhe a coragem para avançar para técnicas mais excêntricas. Admite que já assistiu a demonstrações com pessoas amarradas, que frequenta sex-shops, mas garante que nunca pôs em prática esse tipo de sexualidade. As suas peças não são feitas para chocar mas pretendem provocar reacções.

As peças de cerâmica de Pedro Lobo são feitas com técnicas usadas em práticas sexuais de dominação e submissão, como bondage e sadomasoquismo. Uma arte arrojada que valeu ao jovem ceramista e designer industrial, de 25 anos, natural de Minde, Alcanena, o prémio Mostra Nacional de Jovens Criadores, na área da cerâmica, com um conjunto de peças intitulado “Kinky Ceramics”. Garante que nunca experimentou mas assistiu a performances de amarração de praticantes de bondage e sadomasoquismo, nas quais se inspirou para fazer uma das peças com cordas que as deformam como se fossem corpos.
Em duas das peças o barro foi amarrado com cordas e apertado de forma a representar o corpo humano preso. Outras duas são garrafas para água ou vinho em que a rolha é um brinquedo sexual em forma de bola usado para tapar a boca. O jovem artista não quer chocar as pessoas, mas admite a intenção de as provocar. Uma das peças em que está a trabalhar é um saleiro com algemas. Com estes trabalhos quer mostrar que é possível explorar mais a sexualidade, que não há problemas e até pode ser saudável explorar o corpo e descobrir os limites da sexualidade. “Todos temos tabus. Já tive muitos mais”, realça, destacando que “desde que não se incomode alguém tudo é possível”.
“Se aceitam as peças das Caldas também aceitam as minhas”
Pedro Lobo é licenciado em Design Industrial na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha. Está a tirar mestrado em Design de Produto e “Kinky Ceramics” é o tema da sua tese. Confessa que nunca pensou que algum dia fosse trabalhar com barro. O facto de ter estudado na terra conhecida pela cerâmica de formas fálicas ajudou a abrir-lhe a mente para o trabalho que está a desenvolver e que o levou a vencer o prémio. “Uma peça das Caldas em que um pénis erecto está sobre uma vagina representa a opressão do homem sobre a mulher. É machista, mas é bastante aceite pelo público”, comenta, explicando que pensou que se as pessoas aceitavam isso também iriam aceitar as suas peças.
O jovem artista, que faz as peças numa oficina de um ceramista de Caldas da Rainha, que o ajuda também com a sua experiência, visitou várias sex-shops e é frequentador destes estabelecimentos, onde compra materiais para desenvolver a sua arte e onde até tem peças expostas. “Há pessoas que vivem do chamado mundo kinky (que significa excêntrico, um estilo de vida de quem vive a própria sexualidade fora da caixa) e vão a feiras de sexo. Este mundo está muito conectado com o meio LGBT mas também existem heterossexuais que o fazem, mas não assumem” refere.

O design pode desmistificar coisas como o fetiche
Pedro Lobo gostava que a sua arte contribuísse para desfazer tabus e fazer perder a vergonha da sexualidade. Defende que o design pode mudar mentalidades e desmistificar, por exemplo, o fetiche. “Há a ideia de que o fetiche é uma coisa suja, uma depravação, mas é tão normal como outras formas de sexualidade”. Actualmente é monitor na oficina de cerâmica na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, gostaria de ser professor e sonha em ter o seu próprio ateliê.

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