Sociedade | 13-01-2023 10:00

Cardiologista Jorge Guardado defende unidade de intervenção para apoio aos quatro hospitais da região

Cardiologista Jorge Guardado defende unidade de intervenção para apoio aos quatro hospitais da região
Joaquim Guardado é médico cardiologista, Coordenador da Unidade de Hemodinâmica e Intervenção Cardiovascular no Hospital de Leiria

Jorge Guardado é médico cardiologista com mais de vinte anos de actividade.

É médico no Hospital de Leiria e numa clínica privada em Riachos, onde completa a sua paixão pelo trabalho e pela dedicação aos doentes. Nesta entrevista fala de si e da sua actividade mas não deixa de pôr o dedo na ferida ao reclamar para a região ribatejana uma Unidade de Intervenção para os doentes cardiovasculares. Uma vez que as doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte em Portugal Jorge Guardado defende uma maior operacionalidade no transporte inter-hospitalar para que os doentes não morram pelo caminho.


Aqui fica um excerto da entrevista que pode ler na íntegra na edição semanal em papel desta quinta-feira, 12 de Janeiro:


Temos esse problema no Ribatejo: nenhum dos quatro hospitais tem capacidade de tratar no local quando é necessário um cateterismo.
Falta realmente uma Unidade de Intervenção para acudir nos casos mais graves. O mais perto que temos é Leiria e Lisboa.
Leiria para os habitantes de Santarém não é outra ARS ?
É verdade. O distrito de Santarém não tem uma sala de intervenção cardiovascular à altura e pode não conseguir recorrer àquela que está mais perto dos cidadãos. Os hospitais aqui fazem o melhor para receberem os doentes mas depois, quando é necessário esse tipo de intervenção, têm que deslocar os doentes normalmente para um dos Centros de Intervenção Cardiovascular de Lisboa.
Um pequeno atraso é a morte do doente.
Quando lhe disse que temos 60 minutos é o ideal nesta “hora de ouro”, mas acha que alguém no Médio Tejo, e mesmo em partes da Lezíria do Tejo, consegue chegar em menos de 60-90 minutos a Lisboa? Ninguém consegue.
Com trânsito, chamar a ambulância, etc, etc...
É impossível. Ainda me pode dizer que a ambulância demora 30 minutos no caminho, mas entre o doente chegar, ser diagnosticado, estabilizado, preparado, alocar um enfermeiro e um médico, contactar o outro centro e colocar o doente, estamos a falar sempre de um tempo maior. E estamos a falar de uma densidade populacional e área de influência de pelo menos 400 mil habitantes.
A falta dessa Unidade de Intervenção para os doentes da região é falta de boa vontade de quem?
Não é certamente falta de vontade e empenho dos médicos nem de alguns conselhos de administração. É uma questão de organização do serviço de saúde. Ainda não apareceu uma clara vontade política entre todos os intervenientes que faça desta questão uma prioridade para os doentes que sofrem doença aguda coronária na nossa região. Os hospitais têm condições, urgências, têm unidade coronária, têm capacidade de receber os doentes, de os diagnosticar, mas na maior parte das vezes os doentes têm que ser reencaminhados. E há aqueles que precisam claramente de tratamento de emergência, para não ultrapassarem os tais 60-90 minutos que podem fazer toda a diferença entre viver melhor ou mesmo morrer. Acredito que as administrações dos hospitais têm esse desejo, o que nunca aconteceu até hoje foi uma junção de esforços entre todos e uma vontade política, fundamental para resolver o problema.

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