Sociedade | 16-01-2023 10:00

Mário Ferreira montou um ultraleve em casa e criou a escola de pilotos Aerogiro

Mário Ferreira montou um ultraleve em casa e criou a escola de pilotos Aerogiro
Mário Ferreira é um entusiasta da aviação e montou o seu próprio ultraleve

A escola de pilotagem Aerogiro, em Ferreira do Zêzere, está baseada no Aeródromo Municipal das Valadas e já formou centenas de pilotos de ultraleves.

Mário Ferreira, dono e instrutor da escola, é um entusiasta da aviação, comprou o seu primeiro avião ultraleve em kit e montou-o em casa. Fez a formação no primeiro curso de pilotos de ultraleve em Portugal e diz que tem mais medo de andar na estrada do que no ar.

Mário Ferreira sempre teve a paixão pela aviação, mais por helicópteros. Natural de Ferreira do Zêzere, integra o corpo de bombeiros desde miúdo e esteve seis anos na Força Aérea, onde se alistou como voluntário. Quando saiu da vida militar decidiu levantar voo com os ultraleves e comprou o primeiro avião às peças, em kit, nos Estados Unidos. Montou-o na garagem de casa, que passou a ser uma espécie de atracção turística. Recebia muitas visitas de amigos porque nessa altura “era curioso” montar-se um avião em casa. “Muitos não acreditavam”, diz o proprietário da Aerogiro, a única escola de pilotos do distrito de Santarém.
O primeiro avião de Mário Ferreira, que frequentou o primeiro curso de instrutor de ultraleves que houve no país, pertence à classe básica, um puro ultraleve, sem fuselagem e com velocidades mais baixas. A escola que dirige ministra dois cursos de pilotagem, o mais básico para a primeira geração de aeronaves e o avançado para os ultraleves mais recentes, que atingem uma maior velocidade, à volta dos 160 km/h. “É um avião muito bom porque é robusto e, como a gente diz, é um avião que aceita um aluno a pilotá-lo. Voa melhor sozinho do que com um aluno a pilotar”, diz em tom de brincadeira.
A procura pelos cursos tem diminuído nos últimos anos. “Parece-me que antes havia maior disponibilidade financeira. Tive alunos que vinham de fora, mesmo de Lisboa e do Porto”, diz, tendo estranhado na altura o facto de escolherem a Aerogiro quando tinham escolas mais perto. “Talvez por esta pista ter características especiais. Quando se aprende a voar aqui está-se à vontade para voar em qualquer parte.” A razão é que a pista das Valadas tem ventos e turbulências próprios devido à sua localização em zona montanhosa e de arvoredo junto ao rio Zêzere, na albufeira de Castelo do Bode.
No que toca às idades, existem muitos aposentados que procuram a Aerogiro para concretizarem o sonho antigo de voar. Mário Ferreira já teve o caso de uma pessoa que tinha medo de voar e escolhia o autocarro para viajar pela Europa. Um dia decidiu enfrentar o medo e tirou o curso na Aerogiro e comprou um avião. O curso, que engloba o básico e o avançado, tem um custo a rondar os cinco mil euros.
A Aerogiro forma pilotos de ultraleve no concelho de Ferreira do Zêzere há quase 12 anos. Primeiro em conjunto com outra escola e desde 2011 de forma independente. Exerce a sua actividade no Aeródromo Municipal das Valadas, a caminho do Lago Azul.

Tinha horas de voo num simulador
O proprietário da Aerogiro lembrou a O MIRANTE um caso curioso com um cliente que o procurou e que dizia que tinha muitas horas de voo e que sabia voar. Mário Ferreira apercebeu-se durante a primeira viagem que ele não sabia voar. “Quando o confrontei disse-me que tinha 600 horas de voo mas num simulador”, conta entre risos. “Não é a mesma coisa, lá aparece o “game over, aqui é diferente”, conta.
Nunca teve situações de grande aperto no ar. “Isto são máquinas que estão sempre sujeitas a ter avarias e situações inesperadas acontecem algumas vezes, mas também treinamos para as resolver”, diz o instrutor, que garante ter mais receio de andar na estrada do que no ar.

Apoio aos incêndios com dois helicópteros

O Aeródromo Municipal das Valadas, para além de ser a sede da escola de pilotagem, alberga um destacamento da Unidade de Emergência de Protecção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR). Esta unidade, entre outras missões, realiza o primeiro reconhecimento a fogos florestais com dois helicópteros. As equipas helitransportadas dispõem de material sapador para efectuar combate directo ao incêndio.

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