Sociedade | 17-01-2023 12:00

Centro de Saúde de Alhandra perde todos os médicos e utentes sentem-se abandonados

Centro de Saúde de Alhandra perde todos os médicos e utentes sentem-se abandonados
Vítor Vicente, Ricardo Pinto e Júlia Cartaxo foram três dos muitos utentes descontentes com a falta de médico de família no Centro de Saúde de Alhandra

Os utentes do Centro de Saúde de Alhandra, muitos deles idosos e doentes crónicos, para além de terem de lutar contra os problemas de saúde, agora andam a desgastar-se em tentativas para arranjarem consulta em outras unidades como Póvoa de Santa Iria ou Benavente, já de si sobrecarregadas.

O Centro de Saúde de Alhandra ficou sem médicos de família no início deste ano. A unidade que serve também Calhandriz, São João dos Montes e parte da vila do Sobralinho está às portas de Lisboa e mesmo assim não consegue cativar médicos deixando a população na posição de ter de procurar outras alternativas dentro do concelho de Vila Franca de Xira ou fora dele. Uma centena de utentes já fez um protesto à porta do centro de saúde para tentar pressionar uma solução.
De entre os utentes que mais precisam do centro de saúde estão muitos idosos com vários problemas de saúde, como é o caso de Júlia Cartaxo, 79 anos, utente de Á-dos-Loucos. A idosa sofreu um enfarte do miocárdio e desde então tem de ser seguida pelos serviços de saúde, uma situação que tem sido cada vez mais difícil, até porque é preciso tempo, paciência e muita insistência para se arranjar uma consulta.
“Não entendo o porquê da falta de médicos de família num centro de saúde que está em boas condições e que tem tudo para responder às nossas necessidades”, considera Júlia Cartaxo. A saída de todos os médicos de família do centro de saúde forçaram a utente a ter de procurar os centros de saúde da Póvoa de Santa Iria ou de Benavente, mas em ambos a resposta também tem sido bastante dificultada pelo número de vagas disponíveis para consultas.
Ricardo Pinto, 79 anos, residente em Alhandra há mais de meio século, conta que nunca os utentes da vila estiveram tão preocupados como agora. Apesar de ter transporte próprio, admite que a idade vai pesando e como tal não se sente confortável com a ideia de ter de se deslocar tantos quilómetros para ter “uma pequena chance” de ser atendido em centros de saúde que “já estão a abarrotar” devido à crescente procura.
O utente lembra que há três anos que os médicos entram e saem da unidade de saúde após apenas alguns meses de serviço, o que começou a levantar a problemática sobre o desconhecimento dos casos, trocas de nomes, dificuldade em diagnósticos, entre outros, por falta de familiaridade com os pacientes.
Já no final da manifestação Vítor Vicente, 72 anos, falou com O MIRANTE e não escondeu a desilusão de ver um centro de saúde que considerava bom estar agora a perder serviços. Apesar de vir da Calhandriz admite não se arrepender uma vez que sempre foi bem recebido por profissionais competentes, atenciosos e cujo profissionalismo não deixavam nada a desejar. “Nunca tive problemas aqui sem ser a constante entrada e saída de médicos. Não tínhamos filas, numa manhã resolviam os meus problemas, eram atenciosos e nunca nos deixaram na mão. Fazerem isto connosco é um crime”, lamenta dizendo acreditar que mais tarde ou mais cedo as queixas dos moradores serão ouvidas trazendo de volta “os devidos médicos de família para um centro de saúde merecedor de respeito”, termina.

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