Sociedade | 17-01-2023 18:00

Hospital de Vila Franca de Xira coloca utente num lar sem a família saber

Hospital de Vila Franca de Xira coloca utente num lar sem a família saber
António Rocha, residente em Alverca do Ribatejo, foi encaminhado para um lar após ter tido alta

Família, emigrante em França, esteve 10 dias sem saber do paradeiro de António Rocha e participou o desaparecimento às autoridades.

Utente, com 83 anos, teve alta e foi encaminhado para um lar pelos serviços sociais do hospital. Filha garante que durante mais de uma semana o hospital afirmou não saber da localização do utente. Hospital diz que falou com uma sobrinha, mas esta declinou responsabilidade em relação ao idoso.

O paradeiro de António Rocha foi um mistério durante 10 dias. Depois de ter tido alta do Hospital de Vila Franca de Xira, onde esteve internado, o idoso de 83 anos foi dado como desaparecido na PSP de Alverca do Ribatejo. Sem qualquer informação a família lançou apelos desesperados numa tentativa de obter alguma pista. Do hospital a única resposta durante mais de uma semana foi que “tinham desaparecido os papéis da alta” e que nem sabiam onde estava o utente nem com quem tinha saído da unidade hospitalar. Afinal, António Rocha foi institucionalizado por indicação dos serviços sociais do hospital depois de ter tido alta e ter permanecido no serviço de urgência.
Os familiares, emigrantes em França, exigem saber o que aconteceu para que o hospital, durante 10 dias, não os soubesse informar que tinha encaminhado António Rocha, residente em Alverca, para um lar em Aveiras de Baixo, no concelho de Azambuja. “Ligámos dezenas de vezes, sempre sem resposta”. Além disso, refere a O MIRANTE a filha, Ana Caldeira, o hospital sabia que o idoso tinha família porque a própria, acompanhada por mais dois familiares, se tinha dirigido aos serviços sociais a 2 de Novembro último uma vez que eram recorrentes as entradas do idoso no serviço de urgência. “Deixámos os nossos contactos telefónicos, as nossas moradas. Pedimos à assistente social para nos ligar se ele fosse para o hospital, mas nunca aconteceu. Depois acontece isto, desaparece de um sítio onde achávamos que se entrasse estaria seguro”, refere um outro familiar.
Contactado por O MIRANTE, o hospital garante que, após a alta do utente que permaneceu no serviço de urgência, efectuou várias tentativas de contacto com uma familiar (sobrinha), a única de quem a unidade diz ter o contacto, e que assim que esta atendeu, alegou não ter qualquer responsabilidade sobre o utente. Neste sentido a unidade hospitalar, diz que a 23 de Dezembro “voltou a tentar o contacto com a [mesma] familiar para informar da decisão e dar conhecimento da morada da estrutura residencial para onde iria o utente”, mas sem sucesso.

Não é o primeiro caso de um utente dado como desaparecido
Em Fevereiro de 2022 O MIRANTE noticiou o caso de Casimiro Pereira, de Samora Correia, que andou a deambular pelas ruas, desorientado, sem que o hospital desse pela sua falta. O idoso, de 95 anos, andou descalço e com roupa hospitalar pelas ruas até ser abordado por populares. O hospital disse não ter sido possível imputar responsabilidades individuais a alguém pelo sucedido. O inquérito interno acabou arquivado, mas o hospital diz ter reforçado os protocolos de segurança e informação sobre a abordagem e manutenção das portas de evacuação com alarme junto dos funcionários.

Quatro dezenas de utentes em internamento social

O Hospital de Vila Franca de Xira tem períodos com mais de 40 utentes em situação de internamento social. Pessoas com alta clínica, que não têm para onde ir e “se mantêm internadas, ocupando recursos que, em épocas de grande afluência e internamentos fazem falta para outros utentes”, afirma o hospital. O hospital refere que a gestão destes casos “é rigorosa, tentando-se sempre o contacto familiar e a resposta familiar para que [o utente] possa regressar ao seu domicílio”. Há alturas em que as “situações de internamento social se agravam, muitas vezes por abandono dos familiares”.

Idoso apresentava hematomas no corpo

António Rocha foi admitido num lar em Aveiras de Baixo ainda com alguns ferimentos visíveis e hematomas em várias partes do corpo. Marcas e lesões para as quais a família continua sem ter respostas temendo que o idoso possa ter sido alvo de agressões. Alegando ter questionado diversas vezes o hospital sobre o motivo de entrada no serviço de urgência a família diz continuar a desconhecer as razões, o problema de saúde ou os tratamentos e exames aos quais o utente foi sujeito.

Suspeitas de violência doméstica

O idoso de 83 anos é um rosto conhecido dos agentes da esquadra da PSP de Alverca do Ribatejo. De acordo com a filha, Ana Caldeira, suspeita-se que António Rocha fosse vítima de violência doméstica por parte de uma companheira, com metade da sua idade, que “chegou a abandoná-lo em Lisboa”. Na polícia, garante, foram formalizadas várias queixas por violência doméstica, algumas feitas pelos vizinhos que se apercebiam das agressões, e era recorrente a polícia deslocar-se à habitação “para ver se estava tudo bem”. A família assegura ainda que há meses que tenta convencer o idoso a ir para França, onde pode ter cuidados e suporte familiar, mas sem sucesso. Apesar de não estar diagnosticado suspeita-se que o António Rocha possa sofrer de demência.

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