Sociedade | 01-02-2023 21:00

Antiga ETAR das Cachoeiras continua a ser um perigo a céu aberto

Antiga ETAR das Cachoeiras continua a ser um perigo a céu aberto
Antiga ETAR das Cachoeiras continua a preocupar a população e durante a pandemia foi usada para descargas ilegais de óleos e outros produtos perigosos

Espaço está ao abandono e é considerado um atentado paisagístico. Município diz que é intenção recuperar o espaço mas não há data para isso acontecer.

A antiga Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) das Cachoeiras, concelho de Vila Franca de Xira, está ao abandono há duas décadas e continua a representar um risco de acidente para quem consiga entrar no espaço. Vários moradores da aldeia dizem-se cansados de alertar para o perigo que o espaço representa, pois, apesar de estar fechado e sem utilização, tem vários locais da vedação com pequenas aberturas que permitem a entrada. As maiores preocupações de quem ali vive são com as crianças e a proximidade das valas de acumulação de águas, não totalmente protegidas, que podem causar acidentes. Durante a pandemia foram detectadas pelos serviços de fiscalização do município várias descargas ilegais de líquidos perigosos no local durante a noite como óleos de oficinas e tintas.
A ETAR das Cachoeiras foi pioneira no seu tempo tratando boa parte das águas residuais da comunidade mas deixou há muito de ter capacidade e de estar adequada às necessidades, facto que levou à sua desactivação em Abril de 2000. Na altura foi prometido que o espaço iria ser reconvertido num espaço de fruição pública com um parque infantil e zona de merendas mas a promessa nunca saiu do papel. Na última reunião do executivo municipal foi aprovada uma proposta da CDU onde se exige à câmara que requalifique o local e o transforme no tão ambicionado espaço destinado à população acabando com o perigo ali existente. “Onde tínhamos um espaço útil passámos a ter um local abandonado e atentatório da paisagem envolvente”, lê-se na proposta da CDU.
O presidente da câmara, Fernando Paulo Ferreira, confirma as descargas ilegais no local e garante que o município actuou em conformidade. “A requalificação daquele espaço permitirá também evitar este tipo de atitudes por parte de quem não respeita a lei”, frisou. O autarca confirma que a recuperação da antiga ETAR é uma intenção da maioria socialista mas não explicou quando é que esses trabalhos avançam. O Chega votou contra por considerar que há actualmente no concelho outras prioridades a resolver.
O parque de merendas chegou a ser anunciado em 2008 mas com a crise económica que se seguiu o projecto acabou por não ver a luz do dia. Em 2018 a Assembleia de Freguesia da União da Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras aprovou também, por unanimidade, uma moção para que o município recupere o estudo prévio que tinha feito para o local há dez anos e que o actualizasse aos padrões e conceitos urbanísticos actuais. Os eleitos da freguesia exigiam também que a câmara lhes remetesse o novo estudo prévio para que pudessem pronunciar-se e para que fossem desenvolvidos os procedimentos para a concretização do projecto, o que não veio a acontecer.

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