Luís Ferreira quer explorar a biodiversidade em Samora Correia
O fotógrafo Luís Ferreira escolheu Samora Correia para viver. As aves são a grande paixão e estuda-as na lezíria ribatejana. Está a viver na cidade há um mês e meio mas já fotografou a igreja matriz da cidade para a revista National Geographic. Considera que o concelho de Benavente tem muito turismo de natureza por explorar.
Já viveu na Bélgica, na ilha do Corvo (Açores), em Góis, Oeiras e há um mês e meio vive na cidade de Samora Correia. O trabalho como fotógrafo e videógrafo leva Luís Ferreira, 40 anos, a percorrer o mundo para captar o melhor da natureza. Há mais de dez anos que trabalha para a National Geographic, faz vídeos institucionais e de promoção para municípios e organizações não governamentais. A ligação à lezíria ribatejana vem do gosto de fotografar aves, uma das suas grandes paixões. Por isso quando viu uma casa em Samora Correia de que gostou, não hesitou na compra.
Um trabalho para a National Geographic de promoção dos Caminhos de Santiago levou-o a conhecer a Igreja Matriz de Samora Correia. “O Caminho de Santiago passa por Samora Correia e para meu espanto esta igreja tem inúmeras referências a Santiago. Estão muito bem representadas na azulejaria e fotografei o melhor que pude para representar bem Samora”, conta Luís Ferreira.
A paixão pela fotografia surgiu aos 16 anos, quando fez um intercâmbio cultural pela Eslováquia, País Basco e Hungria. Na altura levou uma máquina fotográfica de rolo e apontava os valores com que fotografava. A formação superior como designer serve agora para criar logótipos animados e conteúdo gráfico para vídeos.
Para fotografar uma ave no terreno Luís Ferreira chegou a estar 13 horas dentro de um abrigo, onde comia e fazia as necessidades. Já no Gerês suportou neve até à cintura durante três dias para captar a realidade da Cabra-Montês (Capra Pyrenaica). Mas a sua ave preferida é a cagarra sobre as quais escreveu um livro. Nas Ilhas Selvagens voou nos helicópteros e navios da Marinha para estudar esta ave. São projectos densos, caros e que demorados.
Em Samora Correia tem-se dedicado a estudar as rotas migratórias das aves. São mais de uma centena de espécies distintas. Para o fotógrafo o município de Benavente tem muito turismo de natureza por explorar. “Existe um vazio e falta de trabalho a esse nível. Não existe perigo de massificação porque não existem grandes cadeias de hotéis. Dar a conhecer o concelho permitiria atrair mais pessoas e, por sua vez, mexer com o comércio local. Claro que um aeroporto aqui mudava o panorama, mas a realidade agora é esta”, considera Luís Ferreira.
As semanas que passa fora a trabalhar fazem com que seja difícil encontrar quem o acompanhe. Não tem filhos mas vive com a namorada e duas crianças. Acordar de madrugada, passar frio, montar abrigos e carregar equipamento são situações em que fica isolado e não pode levar crianças. Ainda assim tem tempo para fazer escalada, mergulho, caminhar na natureza e saltar de paraquedas. O futuro pode passar por conseguir ter uma quinta com burros e cabras em Samora Correia ou no Porto Alto. Só nessa altura pondera ter animais em casa, porque o lugar deles não é num apartamento.
Atropelamento de animais na Recta do Cabo não tem solução fácil
Luís Ferreira colabora com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e está envolvido num projecto de conservação de aves marinhas. Defende que a única solução para o atropelamento das várias espécies de animais na estrada da Recta do Cabo, que liga o Porto Alto a Vila Franca de Xira, é a criação de corredores ambientais. Isso implicaria um estudo a longo prazo e a georreferenciação dos animais para saber onde colocar estas passagens. Até porque a área está bem vedada de um lado ao outro da estrada e os acessos aos terrenos estão condicionados. Ali já viu de tudo a ser atropelado, desde lontras a saca-rabos e até raposas. Lamenta a falta de civismo dos condutores, nas ultrapassagens, por exemplo.
Os planos para o futuro passam por estar mais tempo entre Samora Correia e Benavente para captar as aves íbis-preta e as garças brancas. “Gostava muito que as gentes de Samora me dessem a conhecer locais com diferente biodiversidade, para eu poder fotografar. No Verão costumo salvar cobras que entram em casa das pessoas. Por isso, se alguém receber uma visita destas em casa que me diga. Sem custos vou ao local, registo a espécie e liberto o animal na natureza num sítio seguro e que não incomode”.


