Sociedade | 15-02-2023 21:00

Parceria com instituição pode resolver falta de médicos em Azambuja

Parceria com instituição pode resolver falta de médicos em Azambuja
Ideia partiu do movimento cívico Pela Saúde em Azambuja que tem organizado manifestações para alertar para a falta de médicos no concelho

Protocolo entre a Administração Regional de Saúde e a Cerci Flor da Vida pode vir a ser a tábua de salvação para o concelho de Azambuja, onde 88% da população não tem médico de família.

Está a ser estudada em Azambuja uma alternativa para solucionar a falta de médicos de Medicina Geral e Familiar nas unidades de saúde do concelho. Trata-se de um protocolo a estabelecer entre a Cerci Flor da Vida, instituição que presta apoio a pessoas com deficiência, e a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo para a contratação de clínicos da especialidade que possam complementar a prestação de serviços médicos à população.
A novidade foi revelada na última reunião pública do executivo pelo presidente do município. Silvino Lúcio acrescentou que o “processo está agora a dar os primeiros passos” e tem como objectivo, numa primeira fase, contratar médicos para as instalações da Cerci e, numa segunda fase, que esses clínicos possam dirigir-se às várias unidades de saúde do concelho e nelas prestar atendimento aos utentes sem médico de família atribuído.
A ideia, clarificou o autarca, partiu do movimento cívico Pela Saúde em Azambuja, representado por Armando Martins, que recentemente partilhou essa intenção num debate sobre saúde realizado em Azambuja. O modelo a seguir terá por base o que vigora actualmente no concelho de Benavente, através de um protocolo entre a Santa Casa da Misericórdia de Benavente e a Saúde.

“Gestão do SNS tem que ser repensada”
Para o porta-voz do movimento cívico este método será o que mais rapidamente poderá fazer baixar a percentagem de utentes sem médico de família no concelho, que é de 88%. “Deveríamos ter 14 médicos e temos apenas dois. Azambuja perdeu quatro a cinco médicos só no último ano porque o Agrupamento de Centros de Saúde, a ARS e o Governo não reagiram”, afirmou Armando Martins no debate “Azambuja: uma terra sem médicos”, organizado pelo Ciclo Perene.
Na opinião de Armando Martins, “a gestão do SNS (Sistema Nacional de Saúde) tem que ser repensada” porque “os médicos não querem concorrer para Azambuja” devido ao facto dos salários não serem “tão apelativos” numa Unidade de Cuidados de Saúde Primários - modelo existente no concelho - como numa Unidade de Saúde Familiar (USF) tipo B, existente noutros concelhos do país.

Nem com incentivos os médicos aparecem
Perante o anúncio em reunião camarária, o vereador do PSD, Rui Corça, alertou para a necessidade do protocolo ter que garantir que os médicos a contratar podem “exercer as suas competências como se fossem médicos do centro de saúde” e disse esperar que esta possa ser “uma via para a solução definitiva”: a constituição de uma USF no concelho.
O município de Azambuja, recorde-se, tem tentado resolver a falta de médicos de família através do Regulamento Municipal de Apoio à Fixação de Médicos de Família que está em vigor e prevê um conjunto de incentivos, entre outros, a comparticipação de 400 euros mensais para a compra ou arrendamento de uma habitação, isenção de tarifas de disponibilidade de gestão de resíduos urbanos, acesso gratuito à piscina e espectáculos culturais promovidos pela autarquia e a cedência de uma viatura de serviço. Em cima da mesa esteve também a atribuição de um seguro, para que os utentes sem médico pudessem recorrer ao privado, mas que até ao momento não se concretizou.

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