Sociedade | 22-03-2023 07:00

Denúncias de violência doméstica aumentam em Abrantes

Denúncias de violência doméstica aumentam em Abrantes
Raquel Olhicas, vereadora da Acção Social na Câmara de Abrantes

Pedidos de ajuda aumentaram 56% num ano e todas as vítimas são mulheres. Vereadora da Câmara de Abrantes destaca maior percepção e sensibilização para este tipo de crime para explicar o crescimento do número de vítimas acompanhadas.

As participações de casos de violência doméstica aumentaram no concelho de Abrantes com a Rede Especializada de Intervenção na Violência de Abrantes (REIVA) a receber no ano passado mais 82 mulheres que passaram a receber acompanhamento face ao mesmo período de 2021, revelou na última reunião da Câmara de Abrantes a vereadora da Acção Social, Raquel Olhicas.
Segundo a autarca, em 2021, a REIVA registou um total de 147 acompanhamentos, passando no ano seguinte a acompanhar 229 vítimas de violência doméstica, entre as quais 21 dizem respeito a novos casos. As novas vítimas, referiu, são todas mulheres, contrariamente ao ano anterior em que receberam pedidos de ajuda de três homens. “Os homens normalmente não admitem que sofrem de violência doméstica. Muitos sofrem em silêncio”, lamentou, reconhecendo a possibilidade de existirem casos que continuam por denunciar.
A autarca sublinhou que esta rede de apoio, que tem um serviço de atendimento 24 horas por dia, trabalha de acordo com as necessidades da população não se cingindo a um plano fixo e que o aumento do número de acompanhamentos reflecte um efeito positivo das campanhas de sensibilização realizadas. “As pessoas denunciam mais, o amigo denuncia, o vizinho denuncia e a mulher tem menos receio e recorre à urgência do hospital ou directamente à Câmara de Abrantes” que é, salientou, “muitas vezes a primeira porta para estas mulheres”.
Raquel Olhicas disse também que as vítimas recorrem à linha de apoio psicológico, inclusive, a meio da noite e que a equipa trata dos procedimentos habituais mesmo que a vítima não tenha anteriormente contactado as autoridades.
O presidente do município, Manuel Valamatos, lembrou, em resposta ao vereador do movimento Alternativacom, Vasco Damas que disse estar preocupado com este aumento, que a pandemia de Covid-19 agudizou situações de violência doméstica, o que não significa que não existissem antes desse período. Recorde-se que a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, disse em 2020 que dos casos de violência doméstica denunciados 70% já preexistiam.
O Serviço de Atendimento à Vítimas de Abrantes (241 330 100 / 96 491 44 16) surgiu da necessidade de se criar uma estrutura de atendimento no concelho de Abrantes que permita dar resposta à problemática da violência doméstica, em particular à violência de género. É constituído por uma equipa multidisciplinar que promove um acompanhamento individualizado e integrado disponibilizando serviços de apoio social, jurídico e psicológico.

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