Sociedade | 18-04-2023 21:00

Agressores de taxista de Alhandra ainda não foram apanhados

Agressores de taxista de Alhandra ainda não foram apanhados
João Louro viu os seus agressores escaparem à justiça

João Louro foi assaltado e espancado na sua casa em Alhandra e deixado para morrer por um casal que antes tinha estado a fazer obras numa outra casa que o taxista tinha em Alverca. Os meses continuam a passar e apesar da pressão mediática do caso as forças policiais não estão a conseguir encontrar os autores do crime para responderem em tribunal.

O processo de investigação do assalto violento a João Louro, taxista de Alhandra, está encalhado no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Vila Franca de Xira há ano e meio. O que está a fazer arrastar o processo é o facto de os suspeitos não terem sido detidos apesar de estarem identificados. As autoridades perderam o rasto aos agressores, suspeitando-se que tenham fugido para França. João Louro, 78 anos, um rosto conhecido da praça de táxis de Alhandra, que também trabalhou na praça de Alverca do Ribatejo, está indignado e confessa que tem vivido este tempo com medo.
Em declarações a O MIRANTE, o taxista diz ser “uma vergonha” que o processo se arraste há quase 18 meses sem qualquer novidade. De um dia para o outro, recorde-se, viu a sua vida mudar radicalmente. Em Novembro de 2021 o taxista foi brutalmente espancado durante um assalto à sua casa, em Alhandra, por um casal de 26 anos que lhe limpou 600 euros em dinheiro, relógios e várias peças de ouro no valor de vários milhares de euros.
O ataque não lhe tirou a vida por milagre, mas deixou-o com sequelas incluindo a perda total da vista direita. João Louro já prestou declarações no Ministério Público para memória futura. Natural de Olhalvo, Alenquer, João Louro foi taxista durante 22 anos em Alhandra e estava na praça de táxis de Alverca há duas décadas, onde ainda tem um empregado ao serviço.

Atacado com uma panela
O caso remonta a 2020 quando o casal de agressores foi contratado por João Louro para fazer obras numa casa onde este vivia em Alverca antes de se mudar para Alhandra. Foi a oportunidade ideal para verem o que ele tinha em casa. “Paguei tudo o que devia e, ao contrário do que se pensa e diz, não houve qualquer ajuste de contas. Foi um assalto e agrediram-me para matar”, lamentou a O MIRANTE no ano passado quando o caso foi notícia.
Em Novembro de 2021 o jovem casal bateu à janela de João Louro para o visitar já na nova casa. “Recebi-os em ambiente festivo, não suspeitava de nada. Sentaram-se à mesa, servi-lhes um café, vi o rapaz a levantar-se e depois parecia um sismo e que as vigas do prédio estavam a cair-me sobre a cabeça”, recorda. Sofreu várias pancadas na cabeça com um tacho que estava na cozinha e ficou no chão numa poça de sangue. Nesse momento o casal agarrou numa toalha e tentou asfixiar a vítima ainda que sem sucesso. “Fui militar muitos anos e consegui dar luta apesar dos ferimentos”, recorda.
João Louro ainda conseguiu ver os suspeitos a remexerem nos seus bens e a fugirem. “Fiz um esforço imenso para não desmaiar. Se desmaio tinha morrido ali, eles deixaram-me para morrer”, recorda em lágrimas. Conseguiu chamar os bombeiros e o estado em que estava chocou os socorristas. “Estava irreconhecível e tinha o olho pendurado. A minha cara era uma chaga completa. Com os bombeiros vieram dois polícias que nem entraram na casa e ainda disseram que tinha sido uma pequena escaramuça”, critica. Foi levado de urgência para o Hospital de São José, em Lisboa, e apesar das tentativas dos cirurgiões o olho não teve salvação. Só depois de a filha apresentar queixa é que teve início a intervenção da investigação criminal da PSP.
O taxista tem dois filhos, toca guitarra, órgão, bateria e harmónica e está ligado a um grupo de música popular de Alverca. Vive sozinho desde que a mulher morreu há três anos, vítima de Acidente Vascular Cerebral.

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