Sociedade | 19-04-2023 15:00

Artrite reumatoide: quando já não se consegue segurar uma caneta é a fisioterapia que ajuda

Artrite reumatoide: quando já não se consegue segurar uma caneta é a fisioterapia que ajuda
António Alfaro é fisioterapeuta na FisioAlfaro em Santarém

Doença auto-imune ainda sem cura pode levar à destruição do tecido articular e impedir-nos de realizar gestos tão simples como segurar numa caneta.

A fisioterapia constitui uma forma de tratamento para combater a dor, promover a autonomia e atenuar a progressão da patologia, diz a O MIRANTE o fisioterapeuta António Alfaro, a propósito do Dia Nacional da Artrite Reumatoide.

Deixar de conseguir levar um talher à boca, um pente ao cabelo, segurar numa caneta ou escrever utilizando um teclado, são algumas das limitações dos doentes com artrite reumatoide. Na quinta-feira, 5 de Abril, assinalou-se o Dia Nacional da Artrite Reumatoide, uma doença auto-imune caracterizada pela inflamação das articulações, que afecta quatro vezes mais mulheres do que homens. Com uma resposta multidisciplinar, onde a fisioterapia desempenha um papel importante, estes doentes crónicos conseguem “melhorar a qualidade de vida, aumentando a funcionalidade, diminuindo a dor e promovendo a estagnação da doença”, começa por explicar a O MIRANTE o fisioterapeuta António Alfaro.
A causa da doença, que se estima que afecte entre 0,8% a 1,5% da população portuguesa, geralmente em idade compreendida entre os 30 e os 50 anos, continua a ser indefinida “uma vez que há vários factores que podem contribuir para o seu aparecimento podendo ser ambientais, comportamentais ou hereditários”. Sabe-se, por exemplo, que “um fumador tem um alto índice de probabilidade de desenvolver artrite reumatoide caso o seu código genético esteja para aí orientado”.
Apesar de os factores serem bastante amplos, “os casos não se apresentam de forma aguda”, começando, ao invés disso, “com alguma dor articular nos dedos, na mão ou punho”, que numa fase mais avançada da doença pode evoluir para a inflamação dolorosa de mais articulações com membrana sinovial, incluindo os ombros, joelhos e cotovelos. Os sintomas, refere o fisioterapeuta com clínica em Santarém, são “normalmente bilaterais”. Manifestam-se, por exemplo, nas duas mãos - e são mais fortes durante a manhã ou depois de períodos de repouso por haver maior rigidez.
“Dor articular, rubor, inchaço, dermatites são alguns dos sintomas mais comuns devido à inflamação dos tecidos perto das articulações que leva à progressiva deformidade” articular que é o que se quer combater com a fisioterapia. Como? “Suportando as estruturas envolventes com mais força, flexibilidade, técnicas de cinesioterapia e de electroterapia, exercícios aeróbios que permitem desenvolver a capacidade pulmonar e de resistência à fadiga diária que sentem”. Também a dor, sublinha António Alfaro, é possível de eliminar por completo, “dependendo do estado em que se encontra a doença, da idade, do sexo da pessoa e do seu historial”.
Para estes doentes o sedentarismo pode ser tentador mas é, na verdade, um inimigo atroz que vai “favorecer a rigidez, aumentar a dor e trazer maior limitação funcional. “A condição é complexa e exige rigor no diagnóstico e no tratamento. Pacientes com artrite reumatoide não vão só ao fisioterapeuta, mas ao reumatologista, cardiologista e se necessário ao ortopedista ou fisiologista. Um passo em falso pode significar uma regressão para o doente”, alerta. Acrescenta que além de ser importante criar uma “saúde integrada” onde cabem os cuidados com a alimentação - da qual não devem fazer parte alimentos processados porque aumentam a inflamação do corpo - “é fundamental gerir as expectativas e trabalhar os objectivos de cada paciente num trabalho contínuo e longitudinal”, onde “o controlo da fadiga é tão importante quanto o estímulo”.

O que acontece no corpo?

A artrite reumatoide causa um tipo de dor que é sistémica, ou seja, “é o nosso sistema que se vira contra nós próprios devido a uma má interpretação por parte das nossas defesas nas membranas sinoviais”, as que existem nas articulações que favorecem o movimento. “Quando o sistema imunitário está em défice e se vira contra nós próprios começa a atacar essas membranas por isso é que a doença aparece muito nas mãos, uma zona muitas sinoviais que perdem força e a sua capacidade elástica”, diz. A deformidade óssea é outra consequência que aparece a médio e longo prazo.

Artrite infantil é rara mas igualmente limitante

A artrite infantil, que acontece até aos 16 anos, é rara, mas tal como nos adultos a doença é limitante, podendo impedir a criança de fazer movimentos delicados como desenhar ou querer ficar muito quieta para evitar a dor. As causas não estão totalmente esclarecidas, mas sabe-se que é “persistente, sistémica e igualmente deformante”, refere o fisioterapeuta, sublinhando que “ao perdermos a mobilidade nas mãos perdemos muito do controlo da nossa vida diária”.

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