Sociedade | 19-04-2023 21:00

Moradores do Casal dos Tolilas têm que legalizar casas para poderem ter saneamento básico

Moradores do Casal dos Tolilas têm que legalizar casas para poderem ter saneamento básico
Moradores do Casal dos Tolilas, em Alpiarça, estão dispostos a fazer o que for preciso para legalizar as suas habitações

Presidente da Câmara de Alpiarça reuniu com moradores do Casal dos Tolilas, no Frade de Baixo, para lhes dar conta do que é necessário fazer para resolver o problema da inexistência de saneamento básico na zona. Sem as casas legalizadas não há rede pública de esgotos.

Os moradores do Casal dos Tolilas, no Frade de Baixo, concelho de Alpiarça, têm que legalizar as moradias construídas sem licença para posteriormente haver hipótese de levar a rede de saneamento básico ao local. A informação foi dada pela presidente da Câmara de Alpiarça, a socialista Sónia Sanfona, que reuniu com os moradores e lhes deu conta da situação. “As casas foram construídas há várias décadas e, à excepção de dois ou três casos que estão devidamente legalizados, não têm qualquer licença de construção. Os cidadãos têm direitos e deveres e é essencial legalizar as casas para que possamos criar condições para instalar o saneamento básico”, referiu Sónia Sanfona.
O MIRANTE deu conta da situação em que vivem os moradores do Casal dos Tolilas em Novembro de 2022. As casas estão ilegais há décadas mas os residentes estão dispostos ao que for preciso para as legalizar. Tudo para que possam ter acesso a água canalizada e saneamento básico. Um dos casos é o de Glória Garcia, que viveu na Bélgica com o marido e os filhos antes de regressarem a Portugal. Decidiram fixar residência no Frade de Baixo, concelho de Alpiarça, mais concretamente num lugar conhecido por Casal dos Tolilas.
Nessa zona moram cerca de meia centena de pessoas sem água da rede pública, sem saneamento básico e sem acessos alcatroados. Glória Garcia nunca imaginou que um dia iria viver num local sem serviços considerados básicos. “Sempre quisemos viver aqui porque é onde vive a família e é um local muito tranquilo. Mas não é nada fácil, com quatro filhos, não termos água canalizada”, afirma. Vão valendo os poços que fornecem a água para tomar banho e lavar roupa. Para beber recorrem a água engarrafada.
Fátima Barros, de 60 anos, morou cerca de vinte anos em Espanha até que decidiu regressar ao Casal dos Tolilas. Não se arrepende porque está junto da família mas lamenta não terem os mesmos direitos que os outros cidadãos. Quando precisa de água vai até ao furo de um primo, que a disponibiliza. Tem um poço pequeno que no Verão seca.
Manuel Carvalho recorda que vive ali desde que nasceu, há 50 anos, e os seus pais e avós já ali viviam. As casas foram construídas sem licença. A mãe de Manuel Carvalho, Constança Glória, de 77 anos, vive no Casal dos Tolilas há meio século. Está habituada a utilizar água do poço para cozinhar e tratar das roupas. Lamenta que durante toda a vida tenha vivido sem água canalizada nem saneamento. “Não é maneira de se viver, já para não falar da despesa de ter de comprar água engarrafada”, ressalva.
A presidente da Câmara de Alpiarça explicou, na altura, a O MIRANTE que estão a tentar acelerar a revisão do Plano Director Municipal (PDM) com o objectivo de criar melhores condições e permitir o desenvolvimento e crescimento em termos territoriais. Sónia Sanfona referiu que pretendem legalizar determinadas situações, como é o caso do aglomerado de moradias no Casal dos Tolilas. A autarca diz que a intenção é legalizar as moradias para que as pessoas tenham acesso a água e saneamento. Em relação ao alcatroamento explicou que os serviços estão a analisar essa possibilidade, mas sem o saneamento será difícil alcatroar.

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