Sociedade | 20-04-2023 11:20

Paulo Queimado arguido por causa de negócios com presidente da assembleia municipal

Paulo Queimado arguido por causa de negócios com presidente da assembleia municipal
Paulo Queimado foi confrontado publicamente pela primeira vez sobre a relação amorosa que mantém com Cláudia Moreira, vice-presidente da autarquia. Presidente da câmara é arguido no negócio que envolve presidente da assembleia municipal

Presidente da Câmara da Chamusca confessou em reunião de executivo que foi constituído arguido por causa de negócios com o presidente da assembleia municipal. Joaquim José Garrido também estará como arguido, num caso que envolve mais de 50 mil euros e mete ao barulho os dois filhos do presidente da Assembleia Municipal da Chamusca.

O presidente da Câmara Municipal da Chamusca foi constituído arguido num negócio que envolve a edição de dois livros por um valor superior a 50 mil euros, cujos exemplares terão sido impressos na gráfica do presidente da Assembleia Municipal da Chamusca, Joaquim José Garrido (PS). A informação foi confirmada por Paulo Queimado em reunião de executivo municipal. Embora não exista confirmação oficial, tudo indica que Joaquim José Garrido também terá sido constituído arguido. Os eleitos da assembleia municipal vão reunir na próxima sexta-feira, 21 de Abril, e deverão exigir um pedido de esclarecimentos ao presidente do órgão, que tem como principal função fiscalizar as actividades do município.
“Existe alguma novidade ou desenvolvimento em relação às investigações que trouxeram a Polícia Judiciária à Câmara da Chamusca? Já foram constituídos arguidos?, questionou Tiago Prestes, vereador da coligação PSD/CDS, durante a última sessão camarária, que se realizou na terça-feira, 18 de Abril. Paulo Queimado respondeu ao autarca da oposição, afirmando: “fui constituído arguido, o caso está na Procuradoria-Geral da República e aguardo serenamente como tem acontecido com muitos processos que têm passado por esta câmara”, disse. Esta foi a única vez que o assunto foi debatido durante a sessão, que decorreu um dia depois da TVI ter emitido uma reportagem de investigação, no “Exclusivo” de Sandra Felgueiras, sobreas contratações polémicas do município. Paulo Queimado entrou de forma efusiva no salão nobre da câmara municipal, onde se realizam as sessões camarárias, dirigindo-se com entusiasmo a Tiago Prestes, mas depressa serenou os ânimos para entrar na discussão dos pontos.

Filhos são testa de ferro?
Os temas abordados pela reportagem da estação televisiva já foram notícia por várias vezes em O MIRANTE, nos últimos dois anos, e remetem para a compra de dois telemóveis de alta gama utilizados pelo presidente e vice-presidente da câmara, e o aluguer de um carro em sistema de renting, que vai custar aos cofres municipais cerca de mil euros por mês até ao fim do actual e último mandato de Paulo Queimado. No entanto, o que terá levado à constituição dos presidentes como arguidos foi a edição dos livros “Carta Arqueológica do Concelho da Chamusca” e “100 anos, 100 poemas”, de Maria Manuel Cid. A PJ esteve nos Paços do Concelho, há cerca de um mês, para consultar o processo referente às edições dos livros que a câmara adjudicou a uma empresa dos filhos do presidente da assembleia municipal, que por sua vez entregaram a paginação, impressão e acabamentos à empresa do pai, a Garrido Artes Gráficas. Nesse dia, segundo apurou O MIRANTE, os inspectores também estiveram na habitação de família dos autarcas. Os inspectores levaram consigo o processo da “Carta Arqueológica”, que envolveu o investimento municipal de cerca de 50 mil euros em duas edições de 500 exemplares cada uma. O outro processo que levaram foi o do livro “100 anos, 100 poemas”. Em 2022 o município voltou a entregar a adjudicação de um livro à Zaina pagando cerca de 12 mil euros mais IVA por 500 exemplares do livro “100 anos, 100 poemas”, obra que faz parte das comemorações do centenário de Maria Manuel Cid, poetisa da Chamusca, mais conhecida como D. Mimela. Neste caso, a antologia foi editada pela Edições Cosmos, uma editora que pertence a Joaquim José Garrido e que é marca registada da Zaina Portugal.

Os luxos de Paulo Queimado

Um automóvel de luxo, com um valor de mercado superior a 80 mil euros, e dois telemóveis topo de gama, que custaram cerca de quatro mil euros mais IVA, são duas aquisições que o município realizou para utilização pessoal do presidente da câmara Paulo Queimado. A primeira aquisição foi a mais recente e tem sido questionada pela oposição devido à pertinência de gastar mil euros dos cofres municipais, todos os meses, numa altura em que o aumento da inflação é o assunto da ordem do dia. A compra dos telemóveis também provocou muito alarido na vila, sobretudo entre os funcionários do município, uma vez que um deles foi entregue à vice-presidente da autarquia que, suspeita-se, também é companheira de vida do presidente da câmara. Embora os dois autarcas não assumam a relação publicamente, costumam ser vistos nas compras, a fazer exercício em conjunto, e raramente vão a uma iniciativa pública sozinhos. Os gastos exagerados para utilização pessoal dos autarcas socialistas também têm sido motivo de conversa entre a população do concelho da Chamusca, numa altura em que se sabe que a autarquia tem dinheiro a mais porque tem investido pouco em obras estruturais.

Filho de Joaquim Garrido terá mentido à TVI

A equipa de investigação da TVI tentou entrar em contacto com Joaquim José Garrido, mas o presidente da assembleia não quis prestar declarações sobre os negócios que alegadamente tem com o município. No entanto, o seu filho, Miguel Garrido, sócio-gerente da Zaina, empresa a quem foi adjudicada a edição dos dois livros, terá garantido à TVI que os livros não foram impressos na gráfica do pai. Uma informação aparentemente falsa, tendo em conta que, como O MIRANTE noticiou, na página de Internet do repositório da Universidade de Évora, a ficha técnica da “Carta Arqueológica” indica que foi na “Garrido Artes Gráficas” que o livro foi paginado e impresso e se fizeram todos os acabamentos. Na altura, O MIRANTE também contactou a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), onde é obrigatório o depósito de todos os livros editados. Um dos responsáveis explicou que os depósitos das edições foram solicitados pela “Garrido Artes Gráficas”, o que significa que foi a empresa responsável pelas duas edições da “Carta”. Curiosamente, a ficha técnica dos livros impressos omite o nome da empresa que fez a impressão, o que não é normal na edição de livros.

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