Sociedade | 24-04-2023 07:00

Autores de orgias com alunas do Bom Sucesso vão responder por 18 crimes

Autores de orgias com alunas do Bom Sucesso vão responder por 18 crimes

Acusação é um relato de terror vivido por seis menores que sofreram perseguições dentro e fora da escola e foram violadas por um trio de alunos da Escola Básica do Bom Sucesso, em Alverca. Até a direcção da escola tinha medo de os ter no interior do edifício.

Três rapazes que abusaram e filmaram uma orgia de sexo oral e anal com raparigas da Escola Básica do Bom Sucesso, em Alverca do Ribatejo, foram acusados no final do ano passado pelo Ministério Público de 18 crimes, suspeitos de terem violado pelo menos seis raparigas menores e aguardam o início do julgamento. Dois estão em prisão domiciliária e um terceiro está institucionalizado no âmbito de uma acção tutelar educativa decretada pelo Tribunal de Família e Menores de Vila Franca de Xira.
Os agressores e as vítimas eram todos menores à data dos factos, praticados em Janeiro de 2022. Um deles, hoje com 17 anos, vai responder por um crime de violação, três de importunação sexual, dois de coacção agravada e um crime de ameaça agravada. O segundo arguido, hoje com 18 anos, responde por três crimes de abuso sexual a três menores que na altura tinham 12 anos, dois crimes de pornografia de menores e um outro crime de importunação sexual. Os dois são ainda acusados em co-autoria em três crimes de violação agravada e dois crimes de abuso sexual de criança na forma tentada. Um terceiro abusador, por ser menor, foi alvo de um processo tutelar educativo e foi acolhido numa instituição do concelho de VFX enquanto decorre o processo. Eram todos alunos de cursos profissionais na Escola do Bom Sucesso.
O caso começou quando duas meninas, ambas com 12 anos, se conheceram no início do ano lectivo naquela escola e tornaram-se amigas. Foi por intermédio de outros amigos que conheceram os rapazes, agora arguidos, que eram mais velhos. Segundo a acusação, um dia um dos rapazes obrigou uma delas a entrar na casa-de-banho dos homens, encurralou-a contra a parede e pediu-lhe que lhe fizesse sexo oral, enquanto os outros dois abusadores faziam o mesmo na casa-de-banho feminina com a amiga. Ambas conseguiram resistir e fugir. Dias depois uma das raparigas voltou a ser atacada pelo trio, que lhe colocou as mãos nas partes íntimas, ignorando as queixas desta de que a estariam a magoar.

A orgia no sótão
Em finais de Janeiro o trio abordou as raparigas enquanto estas esperavam pelo autocarro e sugeriram-lhes caminhar com eles até à paragem seguinte, pedido a que acederam. Afinal a paragem era em frente da casa de um dos abusadores, que sugeriu que esperassem nas escadas do prédio. Foi quando já estavam nas escadas que foram convidadas a subir ao sótão do prédio, onde dizem ter sido vítimas de uma cilada.
Quando entraram no sótão, segundo o relato feito ao Ministério Público, viram a porta atrás de si ser trancada e foi quando começou a investida do trio sobre as duas raparigas indefesas. Uma acabou violada por dois rapazes, que de seguida fizeram o mesmo à amiga enquanto um terceiro filmava a cena com o telemóvel. Nenhuma fez queixa do que aconteceu nos dias seguintes, até terem começado a perceber que os vídeos da violação andavam a circular pelos colegas de escola.

Seis meninas abusadas
Em Março as duas raparigas contaram o que aconteceu à psicóloga da escola e o caso foi comunicado à direcção. Quando a Polícia Judiciária começou a investigar o caso percebeu que já existiam inquéritos anteriores aos três suspeitos por abuso sexual e coacção a pelo menos outras quatro meninas, três delas alunas da escola.
Duas delas, de 14 anos, começaram a ser abordadas pelo trio e chegaram a ter de fugir de um restaurante onde almoçavam por estarem a ser importunadas, tendo chegado a ser apalpadas por diversas vezes. Uma das vítimas afirmou ao juiz de instrução que os funcionários da escola conheciam o comportamento dos arguidos e que em algumas ocasiões chegaram mesmo a intervir para os separar de várias raparigas.
Um outro caso que a Judiciária encontrou envolve outra rapariga, também de 14 anos, que era aluna no curso dos suspeitos e que foi violada na casa de um deles por três rapazes, dois deles que não conseguiu identificar, por estar deitada de costas num sofá enquanto os abusos decorriam. As seis vítimas foram sujeitas a uma perícia psicológica que revela que não estariam a mentir e sugere que todas deviam ter apoio psicológico por causa do trauma que viveram.
A escola já tinha no arquivo outras queixas contra os mesmos alunos, confirmou o director da escola num mail enviado à Judiciária, onde dizia ter medo do que poderia acontecer se os suspeitos voltassem à escola onde também estavam as vítimas, uma vez que se estava a esgotar o período de suspensão. As raparigas nunca mais conseguiram ter sossego e passaram a ser constantemente ameaçadas por amigos do trio de abusadores por terem revelado o que aconteceu.

PJ acredita que haverá mais vítimas

A Judiciária acredita que haverá mais vítimas na escola abusadas, mas que tiveram medo de falar. Um dos rapazes foi detido pela Judiciária em Abril do ano passado quando entrava na escola e outro enquanto estava em casa com o pai. Na casa deste os inspectores encontraram um computador e um telemóvel onde estavam três vídeos que circularam nas redes sociais. Havia ainda um quarto vídeo de abusos cujos rapazes não foi possível identificar. Na casa do terceiro suspeito foi apreendida uma manta onde terá acontecido uma das violações, de um caso que chocou a comunidade do Bom Sucesso e Arcena em Alverca.

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