Sociedade | 25-04-2023 17:00

Torres Novas celebra Abril com discursos marcados por alertas para ameaças à democracia

Torres Novas celebra Abril com discursos marcados por alertas para ameaças à democracia

Na sessão solene para assinalar o aniversário da Revolução dos Cravos, os perigos do populismo, a corrupção e as desigualdades foram o principal foco dos discursos dos eleitos locais.

As comemorações do 49º aniversário do 25 de Abril na sessão solene em Torres Novas, que decorreu na manhã desta terça-feira, na Praça dos Claras, ficaram marcadas por alertas sobre as ameaças emergentes à liberdade e à democracia. Também não foram esquecidas nos discursos as preocupações com a corrupção, a guerra, a luta dos professores, a subida do custo de vida e, em particular, com o concelho.

O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, que foi o último a discursar, começou por sublinhar que nunca será demais relembrar a Revolução dos Cravos pelos valores que representa “para uma sociedade que se deseja livre e solidária”. Como uma das grandes conquistas da luta de Abril destacou o poder local e a importância do acto eleitoral que de quatro em quatro anos dá a possibilidade ao povo de escolher “em quem quer confiar a gestão do território”.

Na parte final do discurso, em que se debruçou sobre as obras que estão em curso no concelho para melhorar a qualidade de vida da população, o autarca salientou o trabalho da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, “onde todos procuram valorizar as potencialidades” de cada território “para se valorizarem num todo”; a delegação de competências nos municípios que considera importante “para uma gestão política cada vez mais próxima” e como “um passo importante para a regionalização”.


“A democracia é a melhor arma para o combate a corrupção e abuso de poder”

José Trincão Marques, presidente da Assembleia Municipal de Torres Novas, construiu o seu discurso em torno da corrupção e abusos de poder em vários órgãos do Estado e nas autarquias locais que têm chamado a atenção da comunicação social e da população. “A democracia é a melhor arma para o combate a corrupção e abuso de poder”, defendeu, acrescentando que é necessário valorizar novas formas de separação de poder tais como a atribuição de “reais poderes às oposições, reconhecendo-lhes um estatuto importante” e a defesa de “uma imprensa e comunicação social livres, fortes, independentes do poder económico e político”.

“Assistimos a movimentos a aproveitamentos populistas, extremistas e anti-democráticos (…) Hoje para defendermos a democracia precisamos de transparência. Só com transparência total, fiscalização real e escrutínio da governação política nacional e local será possível defender, preservar e aprofundar a liberdade que nos trouxe o 25 de Abril de 1974 e, simultaneamente, combater os movimentos populistas, extremistas e saudosistas da ditadura”.

Do lado do CDS, Nuno Cruz, lembrou Abril como a “afirmação da vontade de um povo”, alertando que “a liberdade necessita de alimento para que não se perca” e de vigilância, dando como exemplo a guerra na Ucrânia desencadeada por Putin que considera ser “a mais recente afronta à liberdade de um povo”.

“O populismo é uma arma perigosa que normalmente conduz a que, inconscientemente, os povos escolham regimes que atentem aos mais elementares direitos humanos. Também o fundamentalismo, o racismo são perigos crescentes nas sociedades, asfixiam as mentes e levam ao terrorismo político, social e religioso. Numa sociedade livre estes perigos devem ser combatidos ate à exaustão”, afirmou, defendendo que uma forma de combate passa por esbater as desigualdades sociais.

Em representação da CDU discursou Cristina Tomé para dizer que o 25 de Abril “foi uma das maiores realizações da história” que pôs termo a uma “ditadura fascista que oprimiu, prendeu, torturou e matou quem se atrevia a pensar de forma diferente. Como uma das maiores conquistas da revolução de 1974, a eleita destacou a afirmação do poder local democrático que considera estar “presentemente ameaçado pelo sub-financiamento, pela sua descaracterização por via da transferência de encargos, pela instrumentalização que o conduz, em parte, a um mero executor técnico das opções de terceiros”.

O Bloco de Esquerda escolheu, para tomar lugar no púlpito, Maria do Céu Rodrigues cujo discurso se centrou na luta dos professores e na defesa de uma reforma na Educação para potenciar as capacidades dos jovens. “O prazer de ensinar está cada vez mais afastado do horizonte dos professores (…) é dúbio o tempo excessivo que as crianças passam nas escolas”, afirmou a eleita que também é professora.

José Pereira Santos do movimento P'la Nossa Terra começou por prestar homenagem aos torrejanos e torrejanas que lutaram pela liberdade, antes de entrar na parte mais política da sua intervenção que se evidenciou pelas críticas ao Governo e à governação local. Sobre o primeiro considera que as medidas tomadas não estão a resultar mas a “levar as pessoas ao desespero” devido aos baixos rendimentos e que os jovens “continuam a partir para o estrangeiro” em porque em Portugal não têm possibilidade de ter um salário lhes permita pagar uma casa e constituir família.

Quanto ao município, o movimento P'la Nossa Terra considera-o “estagnado em termos de criação de novas empresas” que poderiam criar emprego e atrair jovens e defendeu o aproveitamento do rio Almonda para a criação de uma praia fluvial e a aposta na melhoria das acessibilidades nas zonas periféricas do concelho.

O eleito pelo PSD, Carlos Graça lamentou que alguns vivam a data como sendo apenas mais um feriado e reforçou que é preciso ensinar aos jovens, nas escolas, as diferenças entre ditadura e democracia para os afastar do populismo. As lutas partidárias, vincou, “desde que pautadas pelo respeito e tolerância devem ser consideradas essenciais” ao contrário dos “discursos de ódio, segregação social e sociocultural”. Lamentou ainda que haja líderes partidários que mais parecem defender os seus interesses do que os da população que os elege e afirmou que “não há pessoas de bem e de mal” mas “pessoas com direitos e deveres”.

Após a sessão solene deu-se início, na Praça dos Claras, um baile e pelas 17h30 actuam os UHF no Teatro Virgínia.

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