Sociedade | 26-04-2023 12:00

Grávidas sem o devido acompanhamento por falta de médicos

Grávidas sem o devido acompanhamento por falta de médicos
Grávidas e mães partilham experiências na Roda da Maternidade na Póvoa de Santa Iria

A carência de médicos nos centros de saúde está a deixar as grávidas sem consultas no sector público vendo-se obrigadas a recorrer ao privado.

Esta foi uma das situações faladas na iniciativa “À Roda da Maternidade” na Biblioteca Municipal da Póvoa de Santa Iria.

A grávida Cristiana Costa, 36 anos, reside na Póvoa de Santa Iria desde 2018 mas tem de se deslocar a Coimbra, de onde é natural, para conseguir ter acompanhamento médico da sua gravidez. A situação acontece porque há falta de médicos de família no concelho de Vila Franca de Xira, o que está a fazer com que não sejam cumpridos o programa nacional para a vigilância da gravidez e o programa de saúde infantil do Serviço Nacional de Saúde. Esta é a forma que tem de evitar recorrer a hospitais privados, mas admite que quando o filho nascer vai ser mais complicado fazer a viagem para as consultas e nessa altura terá de recorrer a um pediatra do privado.
As dúvidas de Cristiana Costa estendem-se ao parto. Possivelmente terá o bebé no Hospital de Vila Franca de Xira, o que a deixa ansiosa. “Enviei um e-mail ao hospital a pedir para conhecer a maternidade e se podia visitar o sítio onde posso vir a ter o bebé. Não autorizaram e a justificação foi que tanto as visitas como a preparação para o parto estão suspensas”, conta.
As limitações estão a afectar Inês Pais, 36 anos, que foi mãe pela terceira vez. Está inscrita no Centro de Saúde de Arcena e Bom Sucesso mas não tem médico de família. Durante a gravidez foi acompanhada no Hospital de Vila Franca de Xira por ter uma gravidez de risco. Como começaram a faltar médicos obstetras no hospital, para realizar as cardiotocografias (CTG) tinha que entrar pelas urgências. Sete meses depois o filho só vai ao Centro de Saúde de Arcena e Bom Sucesso para a vacinação. “Preferia ter acompanhamento no centro de saúde mas o que me dizem é para ir para a Póvoa de Santa Iria ou Benavente. Isso não é viável”, relata.
As dificuldades no acesso à saúde são alguns dos temas que mães e grávidas partilharam na iniciativa “À Roda da Maternidade”, na Biblioteca Municipal da Póvoa de Santa Iria. A ideia partiu da doula Sofia Carvalho, 39 anos, residente na Póvoa de Santa Iria. Na zona não existia nenhum espaço de partilha e troca de experiências em torno da maternidade. Os encontros começaram por ser ao ar livre mas com a chegada do Inverno pararam. Agora realizam-se todas as segundas terças-feiras do mês, a partir das 10h30, na biblioteca.

Medo do parto leva grávidas a recorrer às doulas

Há vinte anos que existem doulas em Portugal, mas a procura por este apoio tem vindo a aumentar. Existe uma rede nacional com profissionais certificados e a que as famílias podem recorrer. O seu trabalho passa pelo apoio emocional e informativo à grávida e/ou à família. As principais dúvidas das mulheres quando recorrem a uma doula estão relacionadas com o medo do parto, amamentação e gestão das emoções. Em Portugal a maioria dos hospitais, como o de Vila Franca de Xira, ainda não permitem que as doulas, que não se substituem aos profissionais de saúde, estejam presentes durante o trabalho de parto apesar da vontade dos pais.
Já há alguns médicos e enfermeiras que reconhecem o papel das doulas, mas ainda existe um longo caminho a percorrer, segundo Sofia Carvalho. Liliana Silva, 36 anos, do Forte da Casa, é doula na gravidez, parto e pós-parto. Explica que o seu trabalho com as mulheres é sobretudo informar para que possam tomar decisões conscientes. “Nos hospitais ainda se fazem procedimentos sem consentimento das grávidas. No parto do meu bebé, em Vila Franca de Xira, mandaram-me para cesariana e pedi uma segunda opinião. Não tive direito”, lamenta.

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