Sociedade | 01-05-2023 12:00

Número de crianças em risco aumentou em VFX

Número de crianças em risco aumentou em VFX
(Da esquerda para a direita): Teresa Teixeira (CMVFX), Ana Carla (núcleo de infância e juventude de VFX), Ana Corte (Segurança Social), Maria João Fernandes (Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens), Rui Godinho (Santa Casa da Misericórdia de Lisboa) e Teresa Henriques (Segurança Social).

Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de VFX teve de alargar horário de funcionamento para conseguir dar resposta ao aumento de casos de crianças em risco.

Seminário juntou especialistas na área da infância poucas semanas depois de três crimes violentos envolvendo crianças terem chocado a comunidade.

O número de crianças em risco sinalizadas no concelho de Vila Franca de Xira está a aumentar colocando Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) local em 11º lugar nacional entre as que mais casos acompanha, revelou a O MIRANTE Ana Matos, presidente daquele organismo.
No último ano a CPCJ de VFX recebeu 1.500 sinalizações de potenciais crianças em risco e acompanhou 700 novos casos face ao ano anterior. Nos primeiros três meses de 2023 recebeu 778 sinalizações e está com 600 processos activos, o que faz Ana Matos admitir que este será um novo ano a bater recordes pelos piores motivos. “A comunidade está a habituar-se a relatar situações de perigo para as crianças e em termos de comunicações do exterior já atingimos um terço das comunicações totais do ano passado”, alerta.
A chamada comissão restrita da CPCJ, que acompanha os casos mais graves e que, há três anos, apenas funcionava de manhã, funciona agora todos os dias das 10h00 às 18h00 para conseguir dar resposta. “O volume de expediente está a subir e temos de conseguir fazer omeletas sem ovos”, lamenta Ana Matos, que falou a O MIRANTE à margem do primeiro encontro de entidades com competência na infância e juventude que decorreu a 19 de Abril em VFX. Um seminário realizado pouco tempo depois de vários casos envolvendo a morte de crianças no concelho, como o do avô que matou a neta em Vialonga ou o da mãe que escondeu um bebé num saco de supermercado em Alverca.
Casos que realçam a necessidade de ter uma CPCJ activa e com técnicos em quantidade suficiente para dar resposta. E, tal como acontece com a violência doméstica, é mesmo preciso começar a meter a colher na vida alheia e alertar as autoridades quando se suspeita que uma criança pode estar a ser vítima de violência ou maus-tratos. “Temos de apertar a rede e perceber que proteger as crianças é uma missão e responsabilidade de todos e não apenas das CPCJ”, defende Ana Matos.

Não há estudos sobre crianças adoptadas
O MIRANTE quis saber até que ponto muitas das crianças vítimas de violência poderão ser oriundas de pais adoptivos ou de famílias de acolhimento mas Maria João Fernandes, vice-presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens e Rui Godinho, director de infância, juventude e família da Misericórdia de Lisboa garantem que não há evidências suficientes que apontem nesse sentido. “Não há registo de crianças adoptadas que depois acabem por ser maltratadas pelos novos pais. Não quer dizer que não haja uma situação ou outra pontual a acontecer, mas se for o caso é tratado individualmente e não há estudos nem dados sobre isso”, garante Maria João Fernandes.

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