Sociedade | 03-05-2023 21:00

Envelhecimento da população reflecte-se na enorme carga de doenças crónicas

Envelhecimento da população reflecte-se na enorme carga de doenças crónicas
Iniciativa Saúde para Todos assinalou o Dia Mundial da Saúde em Santarém e chamou a atenção para as necessidades da população

Santarém recebeu a sessão “Saúde para Todos”, que pretendeu assinalar o Dia Mundial da Saúde. Vários oradores consideraram preocupante o elevado índice de envelhecimento da população e o facto de Portugal ser o segundo país da União Europeia com maior prevalência de doenças do foro mental.

O concelho de Santarém é um dos mais envelhecidos do país com um índice de envelhecimento de 206, ou seja, por cada 100 jovens o concelho tem 206 idosos, acima da média nacional que é de 183. Os dados são dos Censos 2021 e foram enunciados pelo presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, durante a sessão “Saúde para Todos” que decorreu a 19 de Abril, no auditório do ISLA Campus, e pretendeu assinalar o Dia Mundial da Saúde que se comemora a 7 de Abril. Para Ricardo Gonçalves, e outros oradores da sessão, o elevado índice de envelhecimento é um dos factores que contribui para a “enorme carga de doença crónica” existente.
A actual directora clínica do Hospital Distrital de Santarém (HDS), Filomena Roque, sublinhou que o elevado índice de doença crónica tem origem nos hábitos e comportamentos das pessoas e em questões ambientais considerando essenciais os cuidados de saúde primários, os quais, segundo a enfermeira Raquel Pita Soares podem dar resposta a 80 a 90% das situações de doença no país. A sessão contou com a presença da secretária de Estado da Promoção da Saúde, Margarida Tavares, que saudou o envolvimento activo dos municípios no processo de descentralização de competências na área da saúde, salientando que a profundidade com que os autarcas conhecem os problemas das estruturas e das populações “vai mudar a proximidade à saúde”.
Ricardo Gonçalves afirmou ainda que o município está a trabalhar com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Lezíria na identificação das intervenções necessárias nas várias extensões de saúde do concelho, as quais pretende candidatar a fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Por outro lado, acrescentou o autarca, está a ser analisada a proposta de criação de uma Unidade de Saúde Local na Lezíria - destinada a articular os cuidados primários com os hospitalares - estrutura com a qual concorda “em tese”, mas cujos estudos aguarda.
O presidente da Câmara de Santarém optou por não falar sobre o que “não corre bem” nos serviços de saúde no concelho, nomeadamente os constrangimentos em vários serviços do HDS por falta de médicos de algumas especialidades. Ricardo Gonçalves prefere esperar pela reunião com o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, agendada para 15 de Maio, com os municípios que integram a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) para falar sobre o assunto.
Na mesma sessão, falou também Paulo Sintra, cirurgião e ex-director clínico do HDS, que destacou os “50 anos de sucesso” da Saúde em Portugal, ressalvando, contudo, que há “muito caminho para fazer”, nomeadamente quanto aos indicadores que apontam para das mais elevadas percentagens, na Europa, de população sem capacidade para fazer a sua vida diária e de baixa expectativa de vida saudável aos 65 anos, concluindo que a melhor forma de evitar chegar à doença é consciencializar cada cidadão do seu papel no cuidado e na promoção da saúde.

Doenças mentais afectam produtividade

Há falta de psicólogos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) para responder às inúmeras situações relacionadas com saúde mental. Entre 2020 e 2022 aumentaram os custos de produtividade nas empresas em relação ao absentismo e até stress no local de trabalho. Os dados, de Março deste ano da Ordem dos Psicólogos, foram divulgados por Filipa Martinho, presidente da associação A Farpa, em Santarém.
Filipa Martinho acrescentou que em 2022 perderam-se, em média, 15,8 dias com baixas médicas, ausências ao trabalho relacionadas com saúde mental. “Portugal é o segundo país da União Europeia com maior prevalência de doenças do foro mental e existem 165 milhões de pessoas na Europa afectadas por uma perturbação mental. Estes casos provocam incapacidade que se reflecte a nível pessoal e também profissional”, esclareceu Filipa Martinho, acrescentando que 11,8% da população portuguesa sofre de depressão. “Ter saúde não é apenas estar livre de doenças, mas sim ter bem-estar físico, mental e social. A saúde mental passa por todos e depende muito de todos nós”, concluiu.

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