Sociedade | 20-05-2023 10:00

Docentes dizem que alunos são prejudicados pela falta de professores e não por greves

Docentes dizem que alunos são prejudicados pela falta de professores e não por greves
Os professores Norberto Silva e Natália Gomes dão aulas em Vialonga

Duas centenas de professores do município de Vila Franca de Xira marcaram presença em dia de greve, a 12 de Maio, na Escola Básica e Secundária de Vialonga. Entre as reivindicações já conhecidas, os docentes consideraram que não são as greves que prejudicam os alunos mas sim a falta de professores que se verifica nas escolas.

Não houve aulas na maioria das escolas do município de Vila Franca de Xira na sexta-feira, 12 de Maio, por causa da greve dos professores. Duas centenas de docentes e auxiliares de educação estiveram reunidos em plenário, da parte da manhã, na Escola Básica e Secundária de Vialonga. À tarde marcharam pela escola pública desde a praça de toiros de Vila Franca de Xira até ao largo da câmara municipal.
A O MIRANTE, os docentes afirmam que os alunos não estão a ser prejudicados com a matéria que não é dada em dias de greve mas sim pela falta de professores. É o caso do professor de História da Escola Secundária Gago Coutinho, em Alverca, Carlos Cunha. “Não são quatro ou cinco greves que vão pôr em dúvida a qualidade do ensino. O que devia ser falado são os milhares de alunos que continuam sem professor. Esses sim vão ser prejudicados. O Ministério da Educação não tem um plano para recuperar as aprendizagens desses alunos”. Na Gago Coutinho houve alunos que ficaram mais de um mês sem aulas de Geografia porque a professora entrou de baixa e não havia interessados em querer dar a disciplina.
A Escola Básica do Cabo de Vialonga não abriu em dia de greve. De 13 professores, oito aderiram à paralisação, assim como duas funcionárias das oito que existem. O estabelecimento de ensino tem cerca de 200 alunos e por isso não estavam reunidas condições para abrir os portões. Prestes a reformar-se, a coordenadora da escola, Natália Gomes, diz que os alunos não são prejudicados na sua aprendizagem mas que nota um comportamento mais instável: “Fizemos poucas greves na escola. Sou a favor do equilíbrio. Concordo com algumas das reivindicações dos professores, como a diminuição da idade da reforma”.
No ano lectivo passado 26.742 alunos estiveram sem aulas por falta de professores, 80% das ausências justificadas com situações de doença. O professor de 1º ciclo Norberto Silva reitera que as famílias entendem o descontentamento dos docentes e percebem que a escola pública não está bem. Faltam professores de Matemática, Físico-química, de Ciências e Tecnologia. Norberto Silva dá aulas na Escola Básica nº 3 de Vialonga, na Quinta das Índias, mas poucas vezes fez greve. É o único em casa que trabalha e monetariamente não pode parar. Conta que os professores continuam a vigiar os alunos nos intervalos das aulas porque não existem funcionárias suficientes. Quanto às greves é a favor da moderação.

O professor de História Carlos Cunha diz que a falta de docentes é que prejudica o ensino e não a greve

Amianto ainda não foi removido da Secundária de Vialonga

O coordenador do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP), André Pestana, participou no plenário na Escola Básica e Secundária de Vialonga e alertou para a presença de amianto naquele estabelecimento de ensino. “Esta escola está degradada e é das poucas que ainda tem amianto. Conseguimos que se avançasse com um plano nacional contra a erradicação do amianto orçamentada em milhões de euros, mas esta escola ainda não mereceu essa atenção”, disse.

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