Sociedade | 27-05-2023 10:00

“Façam, porra!”: desabafo da ministra Ana Abrunhosa em visita à Chamusca

“Façam, porra!”: desabafo da ministra Ana Abrunhosa em visita à Chamusca
Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, mostrou-se solidária com a população e desafiou o Governo a resolver o problema da falta de acessibilidades na Chamusca. Foto CMC

Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, foi à Chamusca para a inauguração da Semana da Ascensão e não conseguiu fugir às grandes questões territoriais que têm sido levantadas pelo facto da Ponte da Chamusca ser um problema grave para a população e território da região ribatejana.

O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) do distrito de Santarém entregou à ministra da Coesão Territorial, durante a inauguração da Semana da Ascensão, um memorando pela construção de uma nova ponte sobre o rio Tejo e a conclusão do IC3, entre Almeirim e Barquinha.
Ana Abrunhosa mostrou-se sensibilizada com a população que sofre diariamente com os constrangimentos de trânsito, embora tenha vincado que não está nas suas mãos resolver o problema. “Vou daqui muito sensibilizada e, embora não esteja nas minhas mãos resolver o problema, fica o meu compromisso de não deixar esquecer o assunto. Nos dias de hoje esta situação não é aceitável, é uma questão de respeito pela população e justiça. Temos de tratar do projecto; sem projecto não há obra e é difícil encontrar financiamento”, disse.
Ana Abrunhosa, que primeiro ouviu o discurso do presidente da câmara, Paulo Queimado, queixando-se de que a Chamusca tem perdido investimento pela falta de acessibilidades, desafiou todos os intervenientes na região, e a população em geral, para “desassossegarem o Governo e erguerem a sua voz” afirmando que “é uma situação que existe há demasiado tempo”. “Deixo o meu compromisso de acompanhar este assunto e de vir ao território as vezes que forem necessárias”, acrescentou, concluindo no final, já nas respostas aos jornalistas, com um desafio ao seu Governo: “façam, porra!”.

Tomada de posição incomum
Nos últimos anos poucas vezes o executivo de maioria socialista da Chamusca conseguiu trazer governantes ao concelho e expor os problemas que se vivem no território. As lamentações em reuniões de câmara e assembleia municipal não chegam aos gabinetes de Lisboa e já levaram o presidente do município a afirmar várias vezes que não há vontade política para resolver o problema”. Paulo Queimado tem sido muito criticado pela oposição devido à passividade com que tem encarado um problema que se tem agravado nos últimos anos.
Os constrangimentos vividos no trânsito que os utilizadores da Ponte Joaquim Isidro dos Reis, vulgo Ponte da Chamusca, são diários e obrigam, muitas vezes, a ficar na estrada horas em filas para atravessarem o tabuleiro que faz a ligação com a Golegã. A Infraestruturas de Portugal (IP) também não consegue arranjar uma solução definitiva para o problema e cada vez que tenta uma alternativa “sai pior a emenda que o soneto”.
Numa entrevista recente a O MIRANTE, Carlos Mineiro Aires, presidente do conselho superior de Obras Públicas, afirmou que “a ponte da Chamusca está obsoleta, é um funil que entope e que os cidadãos estão a ser mal servidos”. João Carvalho, delegado de Santarém da Ordem dos Engenheiros, também referiu ao nosso jornal em entrevista recente que para atenuar o problema da ponte “as soluções mais fáceis estão a ser esquecidas como, por exemplo, a GNR nos períodos mais críticos estar no local enquanto o Governo e as autarquias não se entendem”.

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