Sociedade | 07-06-2023 12:00

Médicos não querem trabalhar nos centros de saúde da Lezíria

Médicos não querem trabalhar nos centros de saúde da Lezíria
Director do Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria, Hugo de Sousa (à esq.), como presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, na abertura das jornadas do ACES Lezíria

Nem um médico concorreu às vagas abertas para serem contratados para os centros de saúde da zona da Lezíria do Tejo. A situação está a preocupar os responsáveis pela saúde na região, que não conseguem colmatar as carências na assistência às populações porque os clínicos estão a preferir trabalhar em outras zonas, sobretudo no norte do país de onde muitos são oriundos.

No último concurso com 26 vagas para colocação de médicos nas unidades do Agrupamento de Centros de Saúde (ACS) da Lezíria, não houve um único profissional interessado em concorrer. A contratação dos clínicos era fundamental para minimizar a cada vez mais preocupante falta de profissionais de Medicina Geral e Familiar. O agrupamento tem tentado minimizar as dificuldades de assistência à população com a contratação de clínicos reformados para fazerem algumas horas semanais e médicos pagos à hora em regime de prestação de serviços. Mas mesmo nestes casos não tem sido fácil conseguir profissionais.
A situação é para o director executivo do ACES da Lezíria, Hugo de Sousa, muito preocupante, até porque não se prevê uma solução num curto prazo. Agravada pelo facto de não haver médicos disponíveis na região de Lisboa e Vale do Tejo e muitos dos que acabam os cursos vão para o norte do país, de onde são oriundos e onde querem estar para ficarem próximos da família.
O presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que serve quase um terço da população nacional, disse nas segundas Jornadas do ACES Lezíria em Alpiarça, a 26 e 27 de Maio, que é preciso reflectir sobre o que se pode fazer perante a falta de médicos. Luís Pisco realçou que “vivemos um tempo de enormes desafios” e realçou que sempre existiu na região uma interacção entre hospitais, centros de saúde e cuidados continuados.
A presidente da Câmara de Alpiarça, que interveio na sessão de abertura, destacou que o município continua a estar disponível para colaborar nas soluções. Sónia Sanfona sublinhou que a população é envelhecida e que “não se pode deixar de ter capacidade para que os cidadãos tenham acesso ao mais fundamental, que é a saúde”. A autarca anunciou também que o município aceitou a transferência de competências do Governo na área da saúde para poder ajudar a melhorar as condições.
O antigo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que interveio nas jornadas, realçou que a falta de médicos não é apenas um problema de Portugal revelando que na Europa faltam cerca de 250 mil clínicos. O ex-governante salientou que as políticas de saúde têm de ser reajustadas consoante os territórios do país ressalvando que a atracção de médicos não tem a ver apenas com questões financeiras, mas também com perspectivas de carreira, com incentivos de ordem moral.

Alpiarça candidata-se a novo centro de saúde

A Câmara de Alpiarça está a preparar a candidatura ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a construção de um novo centro de saúde. A presidente da autarquia, Sónia Sanfona, revela que já anda há algum tempo a preparar o processo e que há indicação de que o aviso de candidaturas que está para sair trará a indicação de que o projecto de Alpiarça é elegível. O novo edifício será feito num terreno do município.
Sónia Sanfona disse a O MIRANTE que o investimento previsto ronda os dois milhões de euros. Já há um protocolo a assinar, entre o município e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, para a utilização do edifício que ficará na posse da câmara. A autarca estima que as obras comecem no primeiro trimestre do próximo ano. O actual centro de saúde está instalado num edifício da Casa do Povo de Alpiarça, entidade que foi extinta, motivo pelo qual não se equacionou uma intervenção nestas instalações.

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