Sociedade | 11-07-2023 07:00

Crise no Cegada aquece discurso político, entre poder e oposição, na última reunião de câmara

Crise no Cegada aquece discurso político, entre poder e oposição, na última reunião de câmara
Rui Dionísio, director artístico do Cegada, teceu duras críticas ao presidente do município

Presidente de Vila Franca de Xira garante que não houve qualquer corte no financiamento concedido pelo município à estrutura cultural de Alverca e explica que o Cegada é o que mais recebe acusando o grupo de decisões de gestão que se revelaram complicadas.

A Câmara de Vila Franca de Xira não cortou qualquer financiamento à actividade cultural que já concedia à companhia Cegada, de Alverca, e não está previsto que reforce esse apoio para se substituir aos apoios que eram dados pelo Estado. A garantia foi deixada pelo presidente do município, Fernando Paulo Ferreira (PS), na última reunião de câmara onde foi pressionado pela oposição CDU e Nova Geração (PSD/PPM/MPT) a encontrar solução para o problema. “O Cegada é, de longe, a companhia teatral com quem a câmara mais reúne, para ajudar a elaborar as candidaturas quer nas contestações apresentadas por via da não aprovação dos apoios da Direcção-Geral das Artes. Não há nenhum corte aos apoios municipais, financeiros e logísticos, dados ao Cegada”, voltou a garantir o autarca.
O presidente da câmara evoca “decisões de gestão” da parte da companhia liderada por Rui Dionísio, que decidiu “contratar os próprios membros dos órgãos sociais do Cegada, que gerou um custo corrente muito superior à verba (recebida pela DG Artes) que era, ela própria, excepcional”, explicou.
Fernando Paulo Ferreira foi questionado pela vereadora Anabela Barata Gomes, da CDU, que acusou a câmara de deixar degradar projectos e equipamentos e avisou que o caminho não pode ser o da destruição e abandono destas estruturas culturais. “Nota-se o desespero daquela gente no comunicado. Não podemos deixar sozinhos os parceiros culturais que já tanto deram à população. O Cegada tem provas dadas e o presidente tem sido muito evasivo sempre que se fala no Cegada”, criticou.
Também David Pato Ferreira, da Coligação Nova Geração, avisou que está na hora do concelho tomar uma decisão. “Se quer ou não quer ter este equipamento cultural e se quer ou não quer dar a mão ao Cegada, à cultura e ao teatro no concelho”, afirmou.

Apoios públicos de 870 mil euros em cinco anos
Recorde-se que a companhia de teatro Cegada, de Alverca, estrutura residente no Teatro-Estúdio Ildefonso Valério, propriedade municipal, queixou-se de ter sido abandonada pelo Ministério da Cultura e agora, sem dinheiro, anunciou que vai fechar portas em Agosto. Em cinco anos o Cegada recebeu 693 mil euros do Ministério da Cultura e 36 mil euros por ano da Câmara de Vila Franca de Xira. Após não ter sido contemplado nos recentes concursos da Direcção-Geral das Artes o Cegada alimentou a esperança de que o município pudesse ajudar e contribuir com 120 mil euros necessários para a companhia continuar a produzir algum conteúdo de serviço público no TEIV, o que não aconteceu.
A situação deixou desgostoso o director artístico do Cegada, Rui Dionísio, que lançou duras críticas ao líder do município em entrevista a O MIRANTE, chegando a acusá-lo de ter “afinidades” com políticos e outras estruturas culturais locais, acusações a que o autarca optou por não responder.

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