Sociedade | 16-07-2023 12:00

População afectada por alergias tem aumentado significativamente nas últimas décadas

População afectada por alergias tem aumentado significativamente nas últimas décadas
David Pina Trincão é Imunoalergologista do Hospital CUF Santarém

Dia 8 de Julho assinalou-se o Dia Mundial da Alergia. A data serve como alerta para a importância do tratamento e prevenção.

A alergia aos ácaros do pó, a pólenes e a árvores como a oliveira, são as mais frequentes em Portugal. O MIRANTE falou com o Imunoalergologista David Pina Trincão, do Hospital CUF Santarém. O médico refere novas tendências na produção de medicamentos biológicos que ajudam a modular as defesas do organismo.

Com o aumento da prevalência das alergias, nos últimos anos, o interesse em estudar e tratar os quadros alérgicos tem sido alvo de estudos e pesquisa de novas terapêuticas. Para além da modernização de tratamentos já conhecidos, como as vacinas, há uma nova tendência no sentido da produção de medicamentos biológicos que ajudam a modular as defesas e assim tratar as várias manifestações de alergia. A explicação é do Imunoalergologista David Pina Trincão, do Hospital CUF Santarém.
O médico sublinha que continuam a ser mais frequentes em Portugal as alergias respiratórias como a rinite/rinossinusite, conjuntivite e asma. A alergia aos ácaros do pó e a pólenes, como os das gramíneas e de árvores como a oliveira, continuam no topo da tabela das alergias mais frequentes em Portugal continental. O grau de intensidade e manifestação depende sempre de cada indivíduo e de factores como a localização geográfica. “A percentagem de população afectada pela alergia tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Não só a sua prevalência, mas também a interferência na qualidade de vida levam a que sejam cada vez mais valorizadas”, explica.
Sendo a alergia uma alteração do sistema imunitário, que provoca uma resposta exagerada a uma substância que não é suposto ser nociva, faz com que possa acontecer em qualquer fase da vida. Pode inclusive afectar vários aspectos do quotidiano, como a prática de exercício físico e a qualidade do sono, e causar problemas de imagem e auto-estima, como os desencadeados frequentemente por patologia alérgica cutânea. Já a alergia alimentar e medicamentosa pode levar a restrições excessivas que estão muitas vezes associadas ao medo causado por reacções anteriores.
Alergias para toda a vida
A doença alérgica é por definição uma doença crónica. É possível controlar as queixas evitando aquilo a que se é alérgico. Podem também ser recomendados alguns medicamentos para tomar diariamente ou quando há agravamento de sintomas. “Existem também tratamentos específicos, como as vacinas anti-alérgicas, que ao tratarem o problema de base podem ajudar a lidar com as alergias e levar à remissão das queixas. Outros casos, como alguns de alergia alimentar na criança, podem ser ultrapassados com a idade”, explica ao nosso jornal.
Quando se lida com casos de alergia é sempre necessário manter uma rotina de avaliação e acompanhamento médico regulares, para tratar e prevenir a sintomatologia da doença e evitar o seu impacto na qualidade de vida. Aqui, os cuidados de saúde primários têm um papel fundamental na detecção de sintomatologia sugestiva de doença alérgica, seja ela respiratória, cutânea, alimentar, medicamentosa ou outra. É através de referenciação às unidades hospitalares que determinadas queixas podem ser estudadas em maior detalhe com diagnóstico e tratamento optimizados.

Rinite alérgica afecta 40% das crianças

Quanto ao impacto da pandemia nos quadros alérgicos David Pina Trincão considera serem necessários mais estudos, ao longo do tempo, e com amostras populacionais maiores, para se perceber o impacto real. No entanto explica que se verificou um agravamento da doença de base em alguns pacientes com doença alérgica respiratória não controlada quando ficaram infectados pela Covid-19.
No caso dos mais novos prevalece a rinite alérgica que pode afectar até 40% das crianças. Cerca de um quarto destas crianças desenvolve doença moderada a grave. O aconselhável é consultar o imunoalergologista que pode tirar todas as dúvidas aos pais.

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