Sociedade | 22-07-2023 15:00

Canil do Cartaxo sobrelotado com cães entregues pela justiça

Canil do Cartaxo sobrelotado com cães entregues pela justiça
Veladimiro Elvas passa os dias ao computador a fazer contas ao canil

A Associação de Protecção aos Animais Abandonados do Cartaxo (APAAC), que gere o canil municipal, tem suportado os custos de mais de uma centena de cães que foram recolhidos por despacho do Ministério Público.

Estes animais foram retirados de uma habitação do concelho em Março de 2022, alguns morreram em lutas e outros fugiram. A associação vai também dar um novo destino à clínica veterinária para que não falte alimentação aos patudos.

O canil do Cartaxo está sobrelotado com mais do dobro dos animais em grande parte porque tem 120 animais que ficaram à sua guarda por ordem do Ministério Público, depois de serem resgatados em condições deploráveis de uma habitação em Vila Chã de Ourique, entretanto alguns morreram em lutas ou fugiram. Os custos com estes cães têm sido suportados pela Associação de Protecção aos Animais Abandonados do Cartaxo (APAAC), que gere o canil por concurso público, o que tem complicado as contas do equipamento.
Os cães resgatados estavam subnutridos e na operação de apreensão dos animais a APAAC deparou-se com uma grande quantidade de dejectos, cadáveres de animais e lixo em várias divisões da moradia. Um verdadeiro perigo para a saúde pública. O presidente da APPAC, Veladimiro Elvas, lamenta que até hoje o Ministério Público não tenha dado qualquer informação ou contactado o canil sobre os animais. Mas, explica, veio autorizar que a pessoa a quem foram retirados possa visitar os animais no canil. O dirigente afirma que as despesas são cada vez mais difíceis de suportar, devido à inflação e aumento dos produtos como as rações. A associação tem outro caso no Ministério Público. Trata-se do rottweiler que atacou uma menina de três anos em Maio do ano passado em Pontével.
Os dias de Veladimiro Elvas são passados ao computador a fazer contas ao canil e à clínica veterinária que decidiram abrir em 2004. A associação tem vindo a recusar alguns serviços na clínica por falta de condições financeiras e para que não falte comida aos animais. A solução passa, segundo o dirigente, pela constituição de uma empresa que junta a associação e veterinários que prestam apoio ao canil, para rentabilizarem o espaço. A associação conta actualmente com uma equipa de três veterinários e três enfermeiros, mais quatro funcionários.
A associação, refere o presidente, está ao lado da população e das entidades, salientando que quando foi obrigatória a colocação de chips de identificação nos cães as autoridades não tinham aparelho para ler o dispositivo e a APAAC ofereceu. Veladimiro Elvas realça também as despesas com deslocações quando é chamado para ir recolher animais, às vezes até de madrugada. “Duvido que haja um canil como o do Cartaxo a nível nacional”, sublinha.
A APAAC surgiu em 1990 e Veladimiro Elvas entrou três anos depois. A associação apenas tinha recolhido alguns gatos, estava parada, sem dinheiro e o município não via nos animais uma prioridade. Na altura uma das preocupações, que continua, é o abandono de cães por caçadores. O dirigente juntou um grupo de pessoas e lutou pela construção do canil municipal, organizando festas e bailes para angariar verbas. Em finais dos anos 90 o trabalho do grupo começou a ser reconhecido e foi cedido o terreno do actual canil, onde existiu uma lixeira a céu aberto.
Veladimiro Elvas pensa despedir-se da APAAC dentro de dois anos, mas até lá pretende ter concluída uma plataforma informática de registo de cada cão, que está a ser desenvolvido por um estudante. Um sistema a partir do qual é possível saber todo o percurso do animal, os tratamentos e doenças e também os custos e que será apresentado à câmara municipal. No ano passado o canil recebeu 313 cães, dos quais 250 foram adoptados ou devolvidos aos donos, e 100 gatos todos doados ao longo do ano.

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