Sociedade | 06-08-2023 07:00

Funeral em Alhandra proporciona situação insólita e dramática para familiares

Funeral em Alhandra proporciona situação insólita e dramática para familiares
Maria Dolores Duarte foi a sepultar no cemitério de Alhandra na tarde de 20 de Julho

Falha de comunicação deixou coveiros de Alhandra e agentes funerários numa situação embaraçosa, perante uma urna que não cabia na cova. Familiares estão revoltados com a situação e as entidades trocam culpas.

Quando o corpo de Maria Dolores Duarte, de 57 anos, foi a sepultar no cemitério de Alhandra na tarde de 20 de Julho os familiares nem queriam acreditar: a cova era mais pequena que o caixão e apesar das tentativas dos agentes funerários esta não cabia na totalidade. Tal facto levou a que os agentes funerários, perante a dezena e meia de familiares que, na dor da despedida, assistiam incrédulos à cena, tentassem introduzir o caixão na diagonal, empurrando-o à força mas sem sucesso.
“Quando vi o caixão de lado fiquei com os cabelos em pé. A tentar enfiar o caixão já o tinham rebentado de lado e praticamente a roupa da defunta já se estava a ver. Uma coisa incrível, deixou-nos destruídos”, lamenta a O MIRANTE Silvério Branco, tio da defunta a O MIRANTE. Perante o que estava a ver, o familiar exaltou-se e chegou mesmo a ameaçar chamar a GNR. “Só não o fiz porque me tinha esquecido do telefone no carro. Acabei por me afastar, porque aquilo estava a fazer-me mal. Foi uma desumanidade completa e uma falta de respeito por todos os familiares”, condena.
Uma falha de comunicação entre as partes esteve na origem da situação. A falecida, que estava internada num hospital em Lisboa, era uma pessoa de estatura forte e precisou de um caixão maior que o normal, facto que não foi reportado previamente aos coveiros do cemitério, que pensando tratar-se de um caixão de tamanho regular abriram a cova a contar com as dimensões standard.
“O problema é que o caixão foi directamente do hospital para a capela, para a missa e daí para o cemitério e o coveiro não teve tempo de ver que o caixão era maior que a medida habitual, senão tinha resolvido o problema”, explica Mário Cantiga, presidente da Junta de Freguesia de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz, entidade responsável pelo cemitério. No entender da junta, em todas as situações é a funerária que deve alertar os coveiros para situações de caixões de tamanhos anómalos, como acontece com os caixões de crianças por exemplo. “O problema é que se tratava de um caixão especial e a funerária não avisou a junta”, lamenta o autarca, garantindo que esta foi a primeira vez que uma situação destas ocorreu.
Já a funerária, contactada por O MIRANTE, tem um entendimento diferente e diz que deveria ter sido o coveiro a abrir um buraco grande o suficiente para acautelar todas as situações. O responsável da funerária diz que a solução acabou por ser encontrada pouco depois com os coveiros a alargarem a cova permitindo que o caixão entrasse.
Os familiares, no entanto, contestam a solução encontrada: “O caixão ficou praticamente à boca da tampa, a uns 30 centímetros do solo. Ficou a meio caminho do fundo. Quando as chuvas vierem e a terra for mais pesada o caixão vai partir-se e o corpo vai sair”, teme Silvério Branco.
Alguns profissionais do sector, contactados por O MIRANTE, desvalorizam a situação, lembrando que cada vez mais se usa um enterramento superficial dos corpos para acelerar a decomposição. E que, na maioria das vezes, as terras acabam mesmo por ceder o suficiente para que os caixões cujas covas são mais estreitas que o normal acabem por resvalar até ao fundo das covas sem necessidade de intervenção externa.

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