Sociedade | 08-08-2023 07:00

Aumentaram as queixas e detenções por furto de cortiça na região

Aumentaram as queixas e detenções por furto de cortiça na região
Um sobreiro centenário localizado junto à estrada no Casal Barreto, concelho de Santarém, foi um dos alvos recentes dos ladrões

O Comando Territorial de Santarém da GNR efectuou cinco detenções no primeiro semestre deste ano relacionadas com furto de cortiça, mais do que em todo o ano passado. Só este ano há quatro dezenas de ocorrências registadas.

No primeiro semestre de 2023 o Comando Territorial de Santarém da Guarda Nacional Republicana (GNR) registou 39 ocorrências relacionadas com o furto de cortiça, confirmando-se a tendência de aumento desse tipo de delito relativamente ao ano de 2022, em que foram registados 64 casos. A informação foi transmitida em resposta a questões colocadas por O MIRANTE, tendo a GNR revelado ainda que no primeiro semestre de 2023 foram feitas cinco detenções pelo mesmo tipo de crime no distrito de Santarém. Em 2022 houve três detenções.
A GNR refere que “tem estado particularmente atenta” a este fenómeno criminal, procurando dissuadir e reprimir o furto. Nesse sentido, “têm sido intensificadas as acções de patrulhamento junto das explorações agrícolas”. A Guarda sublinha que o furto de produtos agrícolas assume uma especial preocupação devido à sua relevância económica, bem como pela importância de manter um clima de segurança entre os produtores.
A Guarda relembra que, como em relação a qualquer outro crime, “a denúncia é fundamental para auxiliar a monitorização do fenómeno e a gestão operacional dos recursos disponíveis para áreas onde o crime poderá ser mais incidente”. Por isso é fundamental que as vítimas ou lesados formalizem queixa ou informação de situações que possam constituir um ilícito criminal.

“Quem são as pessoas
que compram a cortiça roubada?”
Uma das vítimas recentes do furto de cortiça, residente no Couço, contactou o nosso jornal para contar que na sua propriedade roubaram a cortiça a oito sobreiros, com a agravante da cortiça ter apenas cinco anos, pelo que as árvores podem não sobreviver. “Quem são as pessoas que compram a cortiça roubada? Se estas pessoas não existissem os ladrões não roubavam a cortiça. Quem compra consegue olhar para a cortiça e saber que não tem o tempo devido na árvore”, afirma a lesada, que prefere não ser identificada.
Na edição de 20 de Julho, O MIRANTE tinha relatado que o furto de cortiça está a verificar-se em toda a região. Fernando Pereira, um produtor do concelho de Santarém, foi um dos lesados mais recentes. Um dos seus sobreiros foi despojado de boa parte da sua valiosa pele, basicamente até onde os ladrões conseguiram chegar sem o auxílio de escadas. Para agravar a situação, muita da cortiça roubada tem menos de oito anos de maturação e é extraída de forma atabalhoada. “Ao ser extraída antes desse período as árvores em causa ficam ‘feridas’, provocando danos irreversíveis, comprometendo a produção futura e prejudicando a regeneração da árvore, que é uma espécie protegida”, diz o produtor florestal do concelho de Santarém, que presume que os larápios sejam conhecedores do território e com contactos para posteriormente colocarem a cortiça no mercado, provavelmente “vendida ao desbarato”.

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