Sociedade | 15-08-2023 21:00

Alverca quer ser cidade menos dependente do automóvel

Alverca quer ser cidade menos dependente do automóvel
Fernando Paulo Ferreira confirmou na última semana a aceitação da candidatura de Alverca por parte da União Europeia

Conceito europeu visa criar comunidades onde as necessidades básicas dos moradores estejam à distância de uma deslocação a pé de 15 minutos. Programa nem sempre foi bem recebido noutras cidades.

Foi aceite na última semana de Julho a candidatura europeia formalizada pelo município de Vila Franca de Xira visando a transformação de Alverca do Ribatejo numa “cidade dos 15 minutos”, um conceito urbanístico onde as necessidades básicas dos moradores não ficam a mais de 15 minutos de caminhada.
A informação foi confirmada na última assembleia municipal pelo presidente do município ribatejano, Fernando Paulo Ferreira. Alverca foi uma das quatro cidades - a par com Bucareste (Roménia), Paris (França) e Barcelona (Espanha) - que viu a candidatura ser aceite. Candidatura essa que inclui apoios financeiros para a concretização do projecto. “A candidatura está ancorada nesta revitalização que prevemos para a zona hoje ocupada pela Auchan”, explicou o autarca, aludindo ao espaço onde vai nascer uma nova urbanização e a Loja do Cidadão do concelho de Vila Franca de Xira da qual O MIRANTE já deu nota.
O objectivo do programa cidade dos 15 minutos é reduzir a dependência do uso do carro e promover uma vida mais sustentável e saudável nas cidades. O conceito foi popularizado pelo urbanista e ex-presidente da Câmara de Paris, Franck Boutté, e tem ganho destaque noutras cidades. Entre os trabalhos feitos para concretizar este programa incluem-se espaços para circulação a pé, de bicicleta ou trotinete e o projecto já está implementado em cidades como Milão (Itália), Copenhaga (Dinamarca), Amsterdão (Holanda) ou Estocolmo (Suécia). Barcelona tem sido um exemplo do programa, criando “superquarteirões” sem carros e hoje apenas 15% dos dois milhões de habitantes usa o automóvel. Os restantes usam transportes públicos e mais de metade da comunidade - 60% - já se desloca totalmente a pé.
O programa nem sempre é recebido de braços abertos e em alguns casos tem sido acusado de querer manter à força as comunidades isoladas em si próprias. No Reino Unido, por exemplo, o autarca de Oxford decidiu obrigar os moradores a pedir autorizações para poderem circular de automóvel nas horas de maior tráfego, o que lhe valeu queixas e fortes protestos da comunidade, acusando-o mesmo de fazer parte de uma conspiração global para controlar o movimento das pessoas em nome da acção climática.

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