Sociedade | 16-08-2023 21:00

População de Alcanena e rio Alviela continuam a ser castigados pela poluição e maus cheiros

População de Alcanena e rio Alviela continuam a ser castigados pela poluição e maus cheiros
Ilda Cardoso, Valdemar Henriques e Jorge Rosa

Maus cheiros provocados pelo trabalho das fábricas de curtumes já não são tão intensos como há cinco ou seis anos, mas alguns moradores de Alcanena com quem O MIRANTE falou continuam a sentir o ar poluído e defendem penalizações duras para responsáveis. Município diz que continua a fiscalizar e todos os meses aplica multas a empresas.

Os maus cheiros na vila de Alcanena sentem-se assim que se chega à entrada norte do centro da localidade. Segundo alguns moradores a situação já foi pior, tendo existido fases em que o ar se tornava irrespirável. No entanto, acrescentam, o problema ainda não está resolvido e de vez em quando ainda há um odor intenso que cada vez se torna mais aceitável para a população, para mal dos seus pecados, vincam.
Valdemar Henriques, de 73 anos, recorda que quase nasceu com os maus cheiros embora na sua juventude eram maus cheiros orgânicos, provenientes de produtos naturais. “A modernização do curtimento trouxe produtos químicos que prejudicam o ar, fauna e flora. Por exemplo, antigamente para curtir a pele de vaca demorava um ano, agora faz-se em pouco mais de uma semana. Os produtos químicos dão cabo da natureza. O rio Alviela e a população do concelho de Alcanena são as principais vítimas desta situação”, afirma a O MIRANTE. Reformado do ramo da metalurgia, defende que os poluidores deveriam ser punidos pela poluição. “Se fossem responsabilizados pelo tratamento e acondicionamento dos resíduos – sólidos e líquidos – talvez tivessem mais cuidado na hora de poluir o ambiente”, critica.
Ofélia Reis, de 75 anos, não quer dar a cara para a fotografia, mas lamenta ter vivido praticamente toda a vida com os maus cheiros. Sempre que acontece não pode abrir janelas nem estender a roupa. Os estores ficam todos escuros e a roupa está pronta para ir novamente para lavar. “O mau cheiro é pior junto à ETAR. Houve melhoramentos, mas continua a haver falta de fiscalização às empresas. A empresa municipal Aquanena e o município não deveriam ter receio de aplicar coimas pesadas para quem não cumpre e nos obriga a levar com maus cheiros. Isto leva a que muita gente tenha saído do concelho de Alcanena”, lamenta.
Jorge Rosa, de 61 anos, admite ainda haver maus cheiros no ar, embora não sejam tão intensos como há cerca de seis ou sete anos. O ex-motorista de pesados conta que nos dias de poluição os estores ficam todos escuros e até algumas plantas morrem. “Quem não cumpre com as regras, que existem e estão estabelecidas, deve ser multado. A população não pode ser vítima do que se passa na área dos curtumes. O problema é que existe medo de tocar nas grandes empresas porque são muitos postos de trabalho que estão em causa”, refere. A mesma opinião tem Ilda Cardoso que diz ser complicado obrigar as empresas a cumprirem as regras porque querem ganhar dinheiro, mas não querem gastar em investimentos que resolva o problema dos maus cheiros.

Câmara diz que fiscaliza empresas
O vereador na Câmara de Alcanena com o pelouro do Ambiente e Energia, Nuno Silva, que também é o presidente do conselho de administração da empresa municipal Aquanena, explica que continuam a existir situações pontuais e que as fiscalizações às empresas continuam. Sempre que há uma desconformidade é aplicada a coima pela Aquanena que depois envia para o município que é quem decide a aplicação da coima. Nuno Silva esclarece que a Aquanena está a tratar do processo das coberturas dos tanques da ETAR, que ficará concluído até final do mês de Agosto. “É uma situação que vai minimizar bastante os cheiros”, garante.
Nuno Silva reforça que todos os meses fazem fiscalizações e há sempre uma ou outra empresa que não cumpre com todos os parâmetros. São recolhidas amostras para análise em laboratório e que as empresas podem contestar. A quem não cumpre são emitidos autos que seguem para a área jurídica.

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