Sociedade | 23-08-2023 15:00

Afogamento é a segunda maior causa de morte de crianças e jovens

Afogamento é a segunda maior causa de morte de crianças e jovens
Morte por afogamento é a segunda causa de morte de crianças e joven

Rápida e silenciosa a morte por afogamento em crianças e jovens é assunto sério que provoca em média nove vítimas por ano.

No último ano pelo menos três delas ocorreram na região ribatejana. Os Bombeiros de Torres Novas decidiram lançar medidas preventivas para que não se somem às estatísticas mais números, que neste caso se tratam de vidas humanas.

O passeio de barco no Escaroupim, concelho de Salvaterra de Magos, há um ano, tinha tudo para ser um bom serão em família mas acabou em tragédia: Flávio Ferreira, de 13 anos, desequilibrou-se e caiu na água que mantendo o seu curso natural acabou por levar o corpo já inanimado até à praia fluvial de Valada, no concelho do Cartaxo. As manobras de reanimação não conseguiram trazê-lo de volta. Três meses antes, Sara Sebastião, de 16 anos, foi encontrada sem vida numa margem do Tejo, em Abrantes, ao fim de cinco dias de buscas. Tinha ido passar uma tarde de diversão com amigas junto ao rio. Em Abril deste ano, antes da abertura da época balnear que assegura vigilância, na praia fluvial de Aldeia do Mato, um jovem morreu afogado depois de mergulhar na piscina flutuante. O seu corpo foi encontrado a 11 metros de profundidade.
Estes são apenas três exemplos da região que entram para o balanço de um fenómeno silencioso e rápido que é responsável pela segunda maior causa de morte em crianças e jovens: o afogamento. Na maior parte destas ocorrências, senão em todas, os bombeiros são os primeiros a chegar ao local para, com as suas técnicas de reanimação, tentarem trazer à tona aquela vida. Nem sempre se consegue, mas a tragédia pode ser evitada, alerta a Associação dos Bombeiros Voluntários Torrejanos que em plena época balnear resolveu divulgar um conjunto de medidas preventivas para evitar o afogamento que tanto pode ocorrer em piscinas, lagos, praias, rios ou até banheiras.
A primeira medida parece fácil de cumprir: nunca deixar as crianças sozinhas perto da água, “nem mesmo por um segundo”, que é quanto baste para que se dê a submersão do corpo e se inicie o processo de afogamento. A uma criança, sustentam os bombeiros, devem ser ensinados “os perigos da água e a importância de seguir as regras de segurança”.
Caso estejam a praticar actividades aquáticas os mais velhos devem “certificar-se que todas as pessoas e em especial os mais novos utilizam coletes salva-vidas adequados”. É também fundamental, explicam, que as crianças sejam ensinadas a nadar e que o façam sempre com vigilância. Quanto a piscinas e banheiras estas devem ser protegidas de modo que as crianças não consigam utilizá-las sozinhas.

Piscina é o cenário mais comum

De acordo com os últimos dados da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) o afogamento de crianças e jovens já provocou 274 mortes em 18 anos e aumentaram em 2020 e 2021 juntando-se às já registadas mais 12 mortes. No ano passado a APSI registou mais seis mortes por afogamento através de casos relatados na imprensa. “Nos últimos 10 anos, em média, por ano, nove crianças morreram na sequência de um afogamento e 23 foram internadas”, refere a APSI.
Para além das mortes por afogamento verificadas registaram-se 617 internamentos na sequência de afogamento, o que significa que, por cada criança que morre, aproximadamente duas são internadas. Quanto ao local onde ocorrem, lê-se no relatório da APSI, as piscinas são os planos de água com maior registo de afogamentos (32,5% que representa 74 afogamentos) e, neste caso, a maior parte dos afogamentos (43) aconteceram com crianças dos zero aos quatro anos. Os rios, ribeiras e lagoas (57) e as praias (54) apresentam sensivelmente o mesmo número de casos.

61 pessoas morreram afogadas no primeiro semestre deste ano

Sessenta e uma pessoas morreram afogadas nos primeiros seis meses do ano, segundo a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (FEPONS). Em comunicado, a FEPONS cita números do Observatório do Afogamento para indicar que, apesar de se ter registado uma redução relativamente ao período homólogo do ano passado (68 óbitos), ainda foi superior à média dos últimos seis anos (56 mortes). Sublinha ainda que 2022 foi o pior ano, dos últimos 18, nesta área. Segundo o relatório, 51 das pessoas que morreram afogadas nos primeiros seis meses do ano eram homens e mais de metade (57,4%) tinha mais de 40 anos.

Jovem que não sabia nadar morre afogado na praia fluvial da Aldeia do Mato

Corpo foi encontrado pela equipa de mergulhadores no dia seguinte ao seu desaparecimento nas águas da albufeira de Castelo do Bode.

Um jovem de 25 anos, que não sabia nadar, morreu afogado na praia da Aldeia do Mato, no concelho de Abrantes. O corpo foi encontrado na manhã de domingo, 13 de Agosto, pelas equipas de mergulhadores entre a margem da albufeira de Castelo do Bode e a piscina flutuante de Aldeia do Mato. O jovem, de nacionalidade angolana, estava a passar a tarde de sábado na praia fluvial acompanhado pelo irmão que, segundo fonte dos bombeiros, também não sabia nadar. “A indicação que recebemos é que nem um nem outro sabiam nadar. O irmão não se afogou por sorte”, revelou a mesma fonte. Ao que O MIRANTE apurou, o jovem estava há duas semanas em Abrantes, onde tem família a residir. O alerta para o seu desaparecimento foi dado ao final da tarde de sábado, 12 de Agosto, tendo-se iniciado nesse dia as buscas que foram suspensas durante a noite e retomadas pelas 07h00 do dia seguinte. O corpo foi encontrado às 07h51 pelas equipas de mergulhadores dos Bombeiros de Abrantes e da Força Especial de Protecção Civil.

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