Sociedade | 11-09-2023 12:17

Isilda Patrício tem 84 anos e continua ao serviço dos Bombeiros de Azambuja

Isilda Patrício tem 84 anos e continua ao serviço dos Bombeiros de Azambuja

Bombeira há quase cinco décadas, Isilda Patrício continua a vestir com orgulho a farda dos Bombeiros de Azambuja. No Dia Nacional do Bombeiro Profissional, que se assinala esta segunda-feira, 11 de Setembro, O MIRANTE recorda a conversa publicada em 2018. Porque enquanto bombeira voluntária é profissional no que faz diariamente ao serviço da população.

Isilda Patrício ingressa como voluntária nos Bombeiros de Azambuja em 1975, quando ser-se bombeiro implicava dedicar-se por inteiro a uma causa, sem que a formação acompanhasse as dificuldades que surgiam. “Tinha apenas o curso de primeiros socorros, o resto era ao desenrasca”. O medo assaltou-a várias vezes, mas a vontade de ajudar vencia sempre. Lembra o cheiro a terra queimada, o calor das chamas, a aflição do povo e dos homens que estavam ao seu lado, a combater o fogo. “Nunca desisti. Tinha medo, mas não sou mulher de me queixar”, diz convicta das suas palavras.

Aos 72 anos, quando entra para o quadro de honra desta associação humanitária, deixa de exercer funções operacionais, mas continua a sua missão. “Pedi ao presidente e ao comandante para não me mandarem embora. Queria continuar a ajudar e sabia que era capaz”. Hoje continua a vestir a farda com o mesmo respeito de há 43 anos. Faz o acompanhamento a doentes não urgentes, nas viagens de ambulância até ao hospital. “Fico triste e choro se não me levam. Gosto de estar ao lado dos doentes e dar-lhes força”, conta Isilda. “Tenho sempre uma palavra de conforto. Não podemos tratar os doentes como se fossem um fardo de palha. Eles merecem mais”, continua.


Uma vida de trabalho

Isilda Patrício nascida em Azambuja, no ceio de uma família numerosa, estreou-se no mundo do trabalho aos 13 anos, quando foi para Lisboa servir. Ganhava 13 euros por mês, mas o trabalho estendia-se para lá das habituais oito horas diárias. Aos17 anos entra ao serviço num armazém de vinhos, onde permanece até ser atirada para a reforma com apenas 38 anos. “Um dia estava a trabalhar e um homem reparou nas minhas mãos ligadas. Pediu-me para tirar as ligaduras e viu as minhas feridas”, recorda Isilda. Foi chamada pelo patrão e não mais voltou a exercer a sua profissão. Foi um casal amigo que incentivou Isilda a entrar nos Bombeiros Voluntários de Azambuja. “Como eram outros tempos tive de pedir permissão ao meu marido. Ele teve medo, mas não me impediu de ir”, diz a bombeira que acredita que é o trabalho que lhe dá saúde e para já não equaciona arrumar as botas. “Enquanto tiver forças e me deixarem vou continuar a minha missão”, remata.

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