Sociedade | 19-09-2023 21:00

Avô suspeito de matar a neta à facada em Vialonga continua sem acusação

Quase seis meses depois do crime o Ministério Público ainda não conseguiu concluir a acusação para levar o homem a julgamento. Arguido continua preso preventivamente no hospital-prisão de Caxias.

Seis meses depois de Lara, de sete anos, ter sido morta à facada em casa, o principal suspeito do crime, o avô, Olegário Borges, continua preso no hospital-prisão de Caxias sem haver ainda data agendada para o julgamento. Tudo porque o Ministério Público ainda está a concluir a acusação depois de o arguido se ter remetido ao silêncio no primeiro interrogatório judicial, que teve lugar em Abril.
Ao que O MIRANTE apurou, os procuradores querem ter a certeza que a acusação é forte e estará bem municiada de provas devido ao impacto social que o crime causou na comunidade. Depois de ter ouvido o suspeito o Tribunal Judicial de Loures da comarca de Lisboa Norte entendeu estarem verificados “os perigos de continuação da actividade criminosa e o perigo de perturbação grave da ordem e da tranquilidade pública” e decretou a medida de coação mais gravosa, prisão preventiva.
Olegário Borges é representado pela advogada de Alverca Tânia Reis, que também defendeu outros protagonistas de homicídios que chocaram o país como Rosa Grilo (condenada à pena máxima de 25 anos), Diana Fialho (que matou a mãe adoptiva no Montijo), Kelly Oliveira (a mãe que matou os dois filhos em Alenquer) e Maria Malveiro, que matou e desmembrou o namorado no Algarve.
A morte de Lara, recorde-se, aconteceu a 14 de Março. Foi morta à facada e o alerta foi dado pela mãe, que tinha acabado de chegar a casa no bairro da Icesa, em Vialonga, por volta das 04h00, onde coabitava com o pai e a filha. Quando os Bombeiros de Vialonga chegaram ao local a menina ainda apresentava sinais vitais, no entanto Lara acabou por não resistir aos ferimentos e o óbito foi declarado no local. “Estava mergulhada num banho de sangue”, lamentou um vizinho que assistiu à cena e confessou a O MIRANTE estar chocado com o que viu.

Suspeito terá tentado o suicídio
Olegário Borges terá tentado o suicídio com um golpe de faca no pescoço mas foi transportado para o hospital-prisão de Caxias e recuperou dos ferimentos. Foi colocado numa camarata com outros presos e tem direito a duas horas de recreio diárias.
As justificações para o crime baseiam-se nas declarações da família do arguido. Segundo relatos do irmão do suspeito, este tinha receio que a filha levasse a neta Lara e fosse morar com a tia. No dia da tragédia o homem deixou duas cartas onde dizia que não aguentava ficar sem a neta. A criança não estava sinalizada e não há indícios da intervenção de terceiros no crime.
Centenas de pessoas marcaram presença no funeral da criança no dia 17 de Março. Entre balões brancos caminharam atrás da carrinha funerária até ao cemitério de Vialonga.

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