Sociedade | 19-09-2023 10:00

Navegar nas ondas de rádio do Clube de Radioamadores do Entroncamento

Navegar nas ondas de rádio do Clube de Radioamadores do Entroncamento
Radioamadores do Entroncamento mantêm vivo legado das comunicações rádio

Com cerca de quatro décadas de existência, o Clube de Radioamadores do Entroncamento foi dos pioneiros em Portugal na actividade do radioamadorismo. A direcção da associação explicou a O MIRANTE o conceito da actividade e o seu contexto histórico, reconhecendo que é preciso sangue novo para a dinamizar.

O Clube Radioamadores do Entroncamento, fundado em 1984, foi das primeiras associações radioamadoras do país. José Matos é o presidente da direcção e na conversa com O MIRANTE, onde explicou o conceito da actividade e o seu contexto histórico, fez-se acompanhar por mais três elementos da direcção. José Matos é ex-militar, tem 59 anos, é natural de Ponte de Lima e foi residir para o Entroncamento em 1995, altura em que se começou a interessar pelo radioamadorismo. Flávio Soares é antigo técnico electrónico da CP e reside no Entroncamento desde 1962; os dois sócio-fundadores Manuel Silva, de 89 anos, antigo farmacêutico, e João Cruz, que se mudou para a cidade em 1975, são os três elementos que compõem a equipa.
O gosto pelo radioamadorismo começou por influência de amigos e vizinhos que, na altura, tinham pequenos rádios. Motivados pela curiosidade e pelo gosto da electrónica e das comunicações, começaram a aprender, a ouvir as comunicações e a observar como eram realizadas. José Matos acabou mesmo por seguir, dentro da carreira militar, a área das comunicações, algo que acredita ter cativado ainda mais o interesse e que o levou a conhecer o grupo na altura da sua ida para o Entroncamento.
João Cruz explica que nos anos 80 do século passado, por inexistência de telemóveis e outros meios digitais, a rádio era o principal meio de comunicação. Tinha alguns amigos com conhecimento sobre o radioamadorismo, principalmente devido às comunicações que se fazia de Portugal para Angola. Foi ganhando o gosto e de repente conseguiram juntar mais de 40 pessoas para fundar o Clube Radioamadores do Entroncamento.
José Matos admite que o radioamadorismo é um universo vasto e complexo, que engloba várias áreas como a radio-astronomia, a geografia, informática e electrónica, tornando-se um “hobby científico”. Esclarece que, de forma sucinta, a actividade baseia-se em comunicações via rádio, através de canais próprios, realizada por fonia, morse ou meios digitais, como o envio de imagens. Explica que cada indivíduo tem o seu próprio indicativo, que é a sua forma de identificação. Os dois primeiros caracteres indicam o seu país de origem, tendo também cada território a sua própria representatividade. O presidente da associação acrescenta que existe a vertente de competição, que consiste na junção de equipas em determinado espaço e, durante 48 horas, desenvolvem o maior número de contactos possível com os mais diversos pontos do globo, valendo cada um diferentes pontuações.
José Matos refere que, através dessas actividades, se identifica facilmente o principal objectivo do radioamadorismo, que passa por conseguir comunicar com o maior número de países, um desafio por vezes difícil de alcançar com países como a Coreia do Norte. O presidente da associação entende que a actividade tem pouca visibilidade e que grande parte dos radioamadores já têm idades avançadas, faltando sangue novo para dinamizar a actividade. Por isso, afirma, um dos objectivos do clube é atrair membros mais novos e que estão neste momento a definir estratégias para desenvolver actividades nesse sentido.
Apesar de cada um dos elementos ter no seu computador uma estação radioamadora, os membros do clube costumam encontrar-se na sede todas as sextas-feiras à noite para debater sobre os mais variados temas relacionados com o assunto.

Meio de comunicação para catástrofes

João Cruz recorda o contexto histórico da actividade e explica que, por funcionar de forma independente, através de baterias próprias, muitas vezes os radioamadores chegaram a servir de único meio de comunicação em caso de catástrofes ou acidentes. O sócio-fundador dá o exemplo do tsunami no Japão onde, por incapacidade de usar outros meios de comunicação, o radioamador serviu para estabelecer linhas de emergência onde eram passadas informações ou pedidos de medicamentos. Mais recentemente, a associação esteve presente como “backup” no Euro 2004 e nas Jornadas Mundiais da Juventude.

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