Sociedade | 19-09-2023 12:00

Presidente da Câmara de Constância alerta para problema da falta de médicos

Presidente da Câmara de Constância alerta para problema da falta de médicos
Sérgio Oliveira, presidente da Câmara de Constância

Sérgio Oliveira, presidente do município de Constância, reclama soluções ao Governo do seu partido para a falta de médicos de família no concelho.

O presidente da Câmara de Constância lançou ao Governo um “grito de alerta” e “de revolta” pedindo soluções para a falta de médicos de família, que está a afectar 1.600 utentes em Santa Margarida, cerca de um terço da população do concelho. “Vivemos no país um flagelo sem precedentes”, começa por dizer Sérgio Oliveira (PS) numa carta dirigida ao ministro da Saúde e à qual a agência Lusa teve acesso.
Para o autarca, “em tempos modernos, é impensável que tenhamos várias extensões de saúde encerradas” e que, para obterem uma consulta, “os utentes tenham que se deslocar de madrugada ou de véspera para a porta da extensão/centro de saúde”. Sérgio Oliveira foi confrontado esta semana com a saída da médica que tem estado a prestar serviço - seis horas por semana - aos 1.600 utentes da freguesia de Santa Margarida da Coutada, uma saída para a qual diz “não perceber a razão”. A câmara ainda fez à médica uma “proposta informal de suplemento remuneratório”, mas a clínica “não aceitou”.
Segundo o socialista, o ofício enviado ao ministro da Saúde, Manuel Pizarro, “foi um grito de revolta” por ver, pessoalmente e “há várias semanas”, as pessoas a irem “de véspera, não de madrugada, como noutros locais acontece, a irem de véspera, cerca das 23h00, e passarem a noite inteira à porta da Extensão de Saúde de Santa Margarida para que, no outro dia de manhã, possam ter uma vaga” para uma consulta médica.
No ofício, o presidente de Constância sublinha que a maioria da população em Santa Margarida “é envelhecida, com baixas pensões, logo sem recursos ou possibilidades de recorrer a seguros de saúde e aos hospitais privados” e que, “mesmo a população em idade activa, sobrevive com baixos salários, com prestações altíssimas para manter a sua habitação a par de todas as outras despesas que asseguram o mínimo da dignidade a um ser humano”.

Contra o “leilão” para atrair médicos
Por outro lado, o autarca manifestou-se contra o “leilão” em que os municípios estão a participar para “ver quem dá mais” e consegue captar médicos afirmando que isso faz com que os municípios “desafogados financeiramente consigam ter médicos e os mais pobres não”. Nesse sentido, alertou para uma possível “escalada de concorrência entre municípios” e para a possibilidade de se estar “a criar na área da saúde um novo fosso e mais uma desigualdade territorial, a par de tantas outras”.
“Se o caminho for este, vamos abdicar de fazer obra física e canalizamos o dinheiro para pagar um suplemento aos médicos (…) contra tudo o que defendo”, afirmou. Dirigindo-se a Manuel Pizarro, pediu que haja “uma directiva clara e objectiva se o caminho é este” e, se não for, que “se diga de forma clara - não é possível aos médicos receberem suplementos pagos pelas câmaras”.

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