A ex-militar e a primeira mulher presidente de Junta de Benfica do Ribatejo
Cândida Lopes está no seu terceiro e último mandato como presidente da Junta de Benfica do Ribatejo. Aos 47 anos fala abertamente da luta que travou contra a infertilidade, dos sete anos no Exército e das adversidades que passou enquanto mulher autarca.
Na altura em que andava na escola a mentalidade em Benfica do Ribatejo era deixar os livros cedo para ir para o campo trabalhar. Não tinha ninguém em casa que me incentivasse a continuar os estudos, mas houve uma professora que puxou por mim. Acabei por me matricular no sétimo ano já depois do tempo de inscrições e tive que pagar multa. Quando concluí o 12º ano nem sequer foi tema ir para a universidade porque os meus pais não tinham possibilidade. Decidi então ir para o Exército. Entrei para a Escola Prática de Serviço de Transportes na Figueira da Foz, onde estive sete anos.
A instrução militar foi dura física e psicologicamente, mas fez-me crescer porque era muito fechada. Na altura não havia pelotões mistos e os tenentes faziam competição entre o das raparigas e o dos rapazes. Lembro-me de estar à noite a montar uma G3 quando a culatra da arma me caiu no dedo. Fiz um esforço enorme para não chorar à frente de ninguém. Nunca ninguém me viu chorar nem rir. Não sou de mostrar emoções com facilidade. Através do Exército tirei o curso de técnica administrativa e fui estagiar para a Câmara de Almeirim, onde trabalho até hoje.


